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Junior Pena explica decisão de saída voluntária dos EUA e declara: “Eu não sou trumpista”

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Junior Pena explica decisão de saída voluntária dos EUA e declara: “Eu não sou trumpista”

Após semanas de repercussão sobre sua prisão nos Estados Unidos, o influenciador brasileiro Junior Pena quebrou o silêncio e apresentou sua versão sobre o caso nesta terça-feira (7/4). Em entrevista exclusiva concedida ao portal LeoDias, ao lado da advogada Dra. Selenia Destefani, Junior negou motivações políticas, criticou a forma como sua história foi retratada e explicou que optou pela chamada saída voluntária no processo migratório.

O influenciador brasileiro foi detido no fim de janeiro por agentes do serviço de imigração americano (ICE) e passou cerca de dois meses sob custódia em Nova Jersey. O caso ganhou destaque nacional e internacional, principalmente após associarem sua prisão a declarações antigas em que teria demonstrado simpatia pelo ex-presidente Donald Trump.

Veja as fotosAbrir em tela cheia Junior Pena em conteúdo no YouTube sobre seu período como imigrante nos EUAReprodução: YouTube/@Juniorpena Junior Pena após ser solto, compartilhando informações aos seguidores em sua nova conta no InstagramReprodução: Instagram/@juniorpena0 Junior Pena ainda nos EUA conversando com a mãe, após deixar a custódia sob decisão judicialReprodução: Instagram/@juniorpena0 Junior Pena ainda nos EUA conversando com a mãe, após deixar a custódia sob decisão judicialReprodução: Instagram/@juniorpena0 Conta do Instagram do influenciador Junior PenaReprodução: Instagram/@juniorpena0

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“Eu não sou trumpista”, afirmou. Segundo ele, a associação surgiu a partir de um vídeo antigo, gravado há cerca de quatro anos, no qual comentou aspectos econômicos do primeiro mandato de Trump. “O meu conteúdo não é sobre política. Eu falei uma vez somente, antes do presidente atual tomar posição, e onde eles me perguntaram se eu era a favor do Biden ou se eu era do Trump. Eu respondi que era do Trump porque, no primeiro mandato, o Trump mandou muito bem com as finanças – e atire a primeira pedra aquele imigrante que nunca mandou um dólar para o Brasil e chegou lá cinco vezes mais, em questão do primeiro mandato do presidente. E isso foi a minha resposta. Com isso, os haters, começaram a ir lá, há 4 anos, pegar o meu vídeo antigo e repostar”, disse.

O influenciador também rebateu a ideia de que teria sido preso por questões ideológicas. “Não apoio nenhum dos lados, sou um trabalhador. Sobre a minha prisão, eu fui preso por ser um imigrante irregular no país. Eu não fui preso acusado de ser trompista. Isso aí foram as fake news, a galera que arrumou isso. Você não vai ver vídeo nenhum eu batendo no peito e falar que eu sou trumpista”, declarou.

Junior afirmou ainda que aceita a responsabilidade pela situação migratória: “Eu vejo a minha prisão como normal. Eles estão fazendo o trabalho deles, eu entrei no país irregular e eu paguei por isso, né? Por ser um imigrante irregular. Mas eu prefiro ser reconhecido por ser um imigrante irregular no país do que ser reconhecido como um imigrante que dá calote nas pessoas, que rouba as pessoas. A comunidade brasileira, aqui no exterior, é reconhecida por isso; por passar as pessoas para trás, por fazer o mal com as outras”.

Prisão, rotina e impacto psicológico
Durante a entrevista, Junior relatou como foi o momento da prisão. Segundo ele, a abordagem aconteceu por agentes, enquanto saía para comprar café. “Quando eu saí da loja, eu vi dois carros com vidro escuro. Eu falei: ‘Esses carros estão suspeitos’. Mas mesmo assim, eu decidi continuar a minha trajetória. Não deu cinco minutos que eu já estava na rota indo embora, eles me pararam. Aí eu desci do carro, eles checaram meus documentos e falaram: ‘Você está preso’. Eu falei: ‘Vamos embora então’. Eu aceitei com muita facilidade, sem resistência nenhuma e fui embora pra prisão”, contou. Perguntado se os agentes falaram o motivo de o prenderem, Junior disse que não houve comunicação sobre isso.

O período de detenção foi de 62 dias. Segundo ele, foi um momento difícil e que até hoje traz reflexos em sua saúde mental. “Fui preso dia 31 de janeiro, fui solto na última sexta-feira agora. Foram dias difíceis, mas foram dias de aprendizado também. Eu ainda tô me recuperando, porque não foi fácil. Lá é um lugar que eles controlam tudo, menos seu psicológico, porque eles não podem controlar seus pensamentos. Mas mesmo assim, às vezes eu acordo pensando que eu tô lá. Ainda tô me recuperando”, afirmou. Apesar disso, afirmou que encara o episódio como aprendizado. “Tudo tem seu propósito”, disse.

Defesa jurídica e esclarecimentos
Durante a entrevista, a advogada Selenia Destefani afirmou que há uma série de equívocos sobre o caso de Junior. Segundo ela, o influenciador não cometeu crimes e nem perdeu prazos judiciais. “Ele não cometeu nenhum crime, ele não perdeu nenhuma corte. Eu não era advogada antes dele ser preso, mas posso falar, porque eu revisei o arquivo. O caso foi fechado, então não teve nenhuma violação de trânsito. O Junior tem ficha limpa”, explicou.

De acordo com a defesa, a demora na liberação ocorreu por questões administrativas no sistema judicial de imigração, incluindo a ausência de um juiz designado para o processo em determinado período.

A advogada também destacou que existem dois processos distintos abertos no caso de Junior: o imigratório e um pedido federal de habeas corpus. Segundo ela, a soltura ocorreu por decisão ligada ao habeas corpus, e não diretamente ao caso migratório; por isso a confusão com o termo “deportação”.

“O Junior foi detido no mesmo dia que a gente entrou com o habeas corpus. No mesmo dia, ele teve esse habeas corpus pendente e, no dia seguinte, ele já tinha uma ordem de restrição contra o ICE para transferência fora do estado. Mas, infelizmente, as cortes demoram. Daí, ele decidiu, no caso imigratório, pegar uma saída voluntária. Isso não significa, não tem nada a ver com a liberação dele. O governo não queria liberar ele”, revelou a advogada.

Júnior também criticou a cobertura do caso e o comportamento nas redes sociais. Segundo ele, informações distorcidas e vídeos antigos foram usados fora de contexto, o que afetou principalmente sua família. “Eu ficava preocupado só com minha mãe. Ela já é idosa, já está com 77 anos. Quando eu ligava para ela, que ela chorava, me machucava muito”, disse. Ele relatou ainda incômodo com a divulgação de imagens de uma audiência judicial. “Isso é crime federal”, reforçou a advogada.

Trajetória e atuação na comunidade
Junior Pena construiu sua base nas redes sociais com conteúdos voltados à comunidade brasileira nos Estados Unidos, abordando temas do cotidiano e entrevistando imigrantes. Segundo ele, parte de sua atuação sempre esteve ligada a ajudar brasileiros no exterior, embora isso não fosse amplamente divulgado.

“Aqui nos Estados Unidos, eu coloquei em prol de ajudar o imigrante. Vários corpos de brasileiros que morreram aqui nos Estados Unidos, eu fiz vaquinha, perdi noite de sono… Rifas para mandar para o Brasil, pessoas doentes, pagando aluguel. Mas eu não tô aqui para me engrandecer, eu só tô aqui que eu sou a prova viva de que quando você cai às vezes o tombo é necessário para você ver quem realmente está do seu lado e quem não está”, afirmou.

Atualmente, Junior está nos Estados Unidos. Ele foi solto na última sexta-feira (3/4), após a Justiça federal liberá-lo.

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