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Pesquisa aponta que mulheres são maioria entre cuidadoras de pessoas com autismo no Brasil

Foto: Reprodução

Uma pesquisa nacional revela que as mulheres são as principais responsáveis pelos cuidados de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil. O levantamento, realizado pelo Instituto Autismos, reuniu respostas de mais de 23 mil pessoas em todo o país.

Foto: Anaiara Ribeiro

A realidade é ilustrada por histórias como a da advogada Anaiara Ribeiro, de 43 anos, mãe de João, de 18. Desde os primeiros anos de vida do filho, ela passou a buscar atendimento com diversos especialistas, até que o diagnóstico de autismo foi confirmado quando ele tinha 8 anos. Para oferecer o suporte necessário, Anaiara deixou o emprego formal e passou a trabalhar como autônoma, conciliando a rotina com os cuidados do filho.

De acordo com os dados da pesquisa, a maioria das cuidadoras são mulheres, muitas delas fora do mercado de trabalho justamente por conta da dedicação integral aos filhos. O estudo também mostra um avanço importante: a idade média para o diagnóstico do autismo no Brasil caiu para cerca de 4 anos, alinhando-se aos padrões internacionais.

Apesar desse progresso, os desafios ainda são significativos. As famílias chegam a gastar mais de R$ 1 mil mensais com terapias, recorrendo, em grande parte, a planos de saúde. Já nas regiões Norte e Nordeste, há maior dependência do sistema público.

Em resposta, o governo federal informou que ampliou os investimentos na área, com a destinação de R$ 83 milhões para fortalecer a rede de atendimento. Entre as medidas anunciadas estão a criação de novos Centros Especializados em Reabilitação (CER), além de serviços como oficinas ortopédicas e transporte adaptado.

Especialistas destacam que o diagnóstico precoce é essencial para garantir melhores resultados no desenvolvimento das pessoas com autismo. Além disso, a conscientização sobre o tema contribui para reduzir o preconceito e ampliar o acesso a direitos, como benefícios sociais e inclusão em áreas como educação, saúde e lazer.

No Brasil, estima-se que cerca de 2,4 milhões de pessoas estejam dentro do espectro autista, segundo dados do IBGE. A ampliação das políticas públicas e o fortalecimento da rede de apoio são apontados como fundamentais para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas e de suas famílias.

Informações via Agência Brasil.
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