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Polícia analisa celulares em investigação que apura desvio de R$ 10 milhões em medicamentos no Acre

A Polícia Civil do Acre continua avançando nas investigações sobre um suposto esquema de desvio de medicamentos e insumos da rede pública de saúde no estado. Atualmente, os investigadores analisam celulares apreendidos de suspeitos para identificar possíveis envolvidos no caso.

A apuração teve início no fim de 2025, após a descoberta de uma farmácia clandestina que funcionava dentro da casa de um idoso, em Rio Branco. A partir daí, a polícia passou a investigar a origem dos produtos encontrados e identificou indícios de um esquema mais amplo.

Segundo as investigações, medicamentos de alto custo — incluindo remédios para tratamento contra câncer e hemodiálise — além de materiais hospitalares como luvas, gazes e insumos diversos, podem ter sido desviados desde 2023 de unidades como a Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo, o Pronto-Socorro e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital.

O delegado responsável pelo caso, Igor Brito, informou que, até o momento, não houve novas prisões. O idoso detido na fase inicial foi liberado após audiência de custódia e responde em liberdade, com uso de tornozeleira eletrônica.

De acordo com o delegado, diversas pessoas já foram ouvidas, algumas delas investigadas por possível receptação dos materiais desviados. Mesmo assim, seguem respondendo em liberdade enquanto o inquérito avança. A investigação também inclui a análise de sistemas de monitoramento das unidades de saúde.

Depósito clandestino e prejuízo milionário

Em janeiro deste ano, a polícia localizou um depósito clandestino onde estariam armazenados medicamentos e materiais hospitalares possivelmente desviados. No local, os itens foram encontrados em caixas de papelão e sacos plásticos, muitos deles violados e espalhados pelo espaço.

Todo o material foi recolhido e encaminhado para a polícia, com apoio de um caminhão, para contagem e catalogação. A estimativa é de que o esquema tenha causado prejuízo de cerca de R$ 10 milhões aos cofres públicos.

Medicamentos serão devolvidos

Foto: Júnior Andrade/Rede Amazônica Acre

Parte dos produtos apreendidos está sob responsabilidade da Polícia Civil, enquanto outra parte permanece guardada na Secretaria de Estado de Saúde do Acre.

Segundo o delegado, já foi solicitado à Justiça que os medicamentos sejam devolvidos ao estado. A medida deve permitir que os itens, quando aptos, voltem a ser utilizados no atendimento à população.

Investigação segue em sigilo

A polícia informou que novas oitivas ainda devem ser realizadas e que outros possíveis envolvidos já foram identificados. No entanto, detalhes adicionais não foram divulgados para não comprometer o andamento das investigações.

A suspeita de participação de servidores públicos também está sendo apurada. O caso segue sob sigilo judicial e pode ter novos desdobramentos nos próximos meses.

Informações via g1 Acre.
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