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Rádios locais ganham força na Amazônia e enfrentam pressões ao abordar temas ambientais

Homem escuta rádio no Acre (Foto: Marcos Vicentti/Agência de Notícias do Acre)

As rádios comunitárias seguem sendo fundamentais para levar informação a regiões isoladas da Amazônia, onde as distâncias são grandes e o acesso a outros meios de comunicação ainda é limitado. Em muitos casos, são esses veículos que garantem que as próprias comunidades contem suas histórias e debatam problemas locais.

Um levantamento do projeto Mapa Vivo de Mídias da Amazônia, criado pela InfoAmazonia, identificou 307 veículos na região, sendo 49 rádios distribuídas em 38 municípios. Muitas delas têm alcance reduzido, atendendo comunidades pequenas, mas desempenham papel essencial na circulação de informação e no fortalecimento das vozes locais.

Segundo pesquisadores envolvidos no estudo, o rádio continua sendo uma ferramenta importante para diminuir as distâncias e dar visibilidade às realidades da população amazônica. Além de informar, essas emissoras também estimulam a participação da comunidade e ajudam a formar novos comunicadores.

A rádio web Uxicará transmite uma hora de programação por dia de segunda a sexta-feira e duas horas diárias aos sábados e domingos na comunidade Vila Brasil, parte do assentamento agroextrativista Gleba Grande, onde 6.600 famílias vivem às margens do Rio Arapiuns, em Santarém (PA) (Foto: Júnior Albuquerque/Cortesia Projeto Saúde e Alegria)

Um exemplo é a Rádio Web Uxicará, no Pará, que transmite conteúdos voltados à comunidade, incluindo programas religiosos, avisos locais e debates sobre questões ambientais. A emissora também envolve estudantes em sua programação, incentivando o protagonismo dos jovens e o surgimento de novas lideranças.

Apesar da relevância, essas rádios enfrentam desafios. Um deles é a influência de interesses ligados ao agronegócio, que muitas vezes impacta a linha editorial de alguns veículos.

Outro problema constante é a dificuldade financeira. Muitos veículos sobrevivem com poucos recursos e enfrentam pressão política e econômica, principalmente quando adotam uma postura independente.

Dirley Oliveira, mais conhecido como Sorriso, no estúdio de rádio da Avalanche FM em Sena Madureira, Acre; Oliveira relata sofrer retaliações por fazer jornalismo independente em uma cidade pequena (Photo: Cortesia do Yaco News)

No Acre, essa realidade também é sentida. O jornalista Dirley Oliveira, conhecido como “Sorriso”, atua na rádio Avalanche FM, em Sena Madureira, e é diretor do site Yaco News, onde mantém uma equipe de jornalistas. Segundo ele, o trabalho independente enfrenta retaliações frequentes, como pressão sobre comerciantes para retirada de anúncios e tentativas de enfraquecer o veículo.

Além disso, há dificuldades para custear reportagens, principalmente em uma região onde deslocamentos podem ser longos e caros, o que limita a produção de conteúdos mais aprofundados.

Mesmo com os obstáculos, iniciativas de apoio vêm sendo desenvolvidas para fortalecer o jornalismo na região. Programas de mentoria e incentivo à produção colaborativa buscam ampliar a atuação desses veículos e garantir maior visibilidade a temas relevantes para a Amazônia, como mudanças climáticas e conflitos territoriais.

A proposta do Mapa Vivo é continuar sendo atualizado, reunindo cada vez mais iniciativas e reforçando a importância da comunicação local na região.

Matéria original via latamjournalismreview.org

Rádios locais cobrem temas socioambientais e desafiam interesses poderosos na Amazônia brasileira – LatAm Journalism Review by the Knight Center

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