A agressão sofrida pela repórter Jéssica Aquino, da TV Arapuan, durante uma entrada em João Pessoa, na Paraíba, está longe de ser um caso isolado. Infelizmente, episódios semelhantes vêm se repetindo com frequência preocupante em diferentes regiões do país, transformando uma situação que deveria ser excepcional, em algo cada vez mais comum no cotidiano das equipes de reportagem.
Jéssica falava ao vivo sobre a movimentação das vendas de milho no Mercado Central da capital paraibana, em matéria relacionada aos festejos juninos, quando foi surpreendida por um homem que se aproximou e a agrediu com empurrões e tapas diante das câmeras. As imagens rapidamente circularam nas redes sociais e provocaram indignação entre profissionais da comunicação e telespectadores.
O caso reacende um debate que há muito tempo deveria ocupar posição central dentro das redações: a segurança dos jornalistas em campo. O trabalho de reportagem exige presença nas ruas, contato direto com a população e cobertura de situações muitas vezes imprevisíveis. Ainda assim, é evidente que o ambiente se tornou mais hostil para quem exerce a profissão.
Nos últimos anos, aumentaram os relatos de agressões físicas, ameaças, intimidações e tentativas de constrangimento contra profissionais da imprensa. Em muitos casos, os ataques acontecem justamente durante transmissões ao vivo, quando repórteres e cinegrafistas ficam mais expostos e vulneráveis.
Por isso, já não basta apenas publicar notas de repúdio após cada novo episódio. As emissoras precisam ampliar protocolos de prevenção, investir em treinamento, revisar procedimentos de segurança e criar mecanismos mais eficazes de proteção para suas equipes externas. Nenhum jornalista deveria correr o risco de ser agredido simplesmente por estar trabalhando. Defender a integridade desses profissionais é também defender o livre exercício da informação.

