A equipe do portal recebeu uma mensagem enviada por estudantes da zona rural relatando problemas enfrentados diariamente dentro de uma escola estadual localizada às margens da BR-364, no interior do Acre.
No relato, as alunas afirmam que decidiram gravar um vídeo para mostrar a realidade da unidade escolar após anos de promessas, mudanças e dificuldades estruturais enfrentadas por alunos e professores.
Segundo as estudantes, o objetivo da denúncia não é atacar funcionários ou educadores, mas pedir atenção das autoridades para situações que, segundo elas, afetam diretamente a qualidade do ensino, a segurança e até a saúde dos estudantes.
Olá, equipe do Yaco News.
Meu nome é Maria Eduarda e, junto com minhas colegas Samia e Ana (Grazyely), somos alunas de uma escola estadual da zona rural. Entramos em contato para pedir ajuda na divulgação de uma situação que vem afetando diretamente muitos estudantes da nossa comunidade.
No dia 18 de maio gravamos um vídeo mostrando a realidade da escola onde estudamos atualmente. Demoramos um pouco para procurar ajuda porque tivemos medo de não sermos ouvidas, de sofrer julgamentos ou até consequências dentro da própria escola.
Queremos deixar claro que nosso objetivo NÃO é atacar professores, funcionários ou alunos. Sabemos que muitos deles também enfrentam diariamente essas dificuldades e fazem o possível dentro das condições que recebem.
Tudo começou quando os alunos que estudavam anexados na Escola Laurita Alves, localizada no KM 16, foram transferidos para outra escola no KM 37 da BR-364, sentido Manoel Urbano. Na época, a justificativa foi de que a escola passaria por melhorias e reformas.
Porém, os anos passaram e grande parte dos problemas continua sem solução. Muitos pais e mães nunca concordaram com essa mudança, principalmente pela distância maior e pela falta de estrutura adequada no novo local.
A Escola Laurita Alves sempre foi considerada uma escola importante para a zona rural, com espaço suficiente para atender os estudantes e oferecer melhores condições de ensino.
Hoje enfrentamos problemas relacionados à estrutura, insegurança, adaptações improvisadas e até situações que afetam a saúde de alunos e professores. Durante o período de aula houve pintura dentro da escola, e o forte cheiro de tinta causava desconforto e mal-estar.
Também existem dificuldades relacionadas à merenda escolar. Muitas vezes ouvimos que está tudo normal, mas a realidade vivida pelos estudantes é diferente.
Outro ponto importante é que o celular, que muitos enxergam apenas como distração, acabou sendo a única ferramenta que tivemos para registrar e mostrar o que realmente acontece dentro da escola. Sem ele, muitas dessas situações talvez nunca fossem vistas.
Nosso único objetivo é pedir atenção, ajuda e providências. Queremos estudar com dignidade, segurança e respeito. Também queremos que os próximos alunos da zona rural tenham oportunidades melhores do que as que estamos tendo atualmente.
Pedimos, por favor, que o vídeo
seja divulgado da forma como editamos, para que nossa mensagem seja transmitida exatamente como produzimos.
Esperamos que nossa voz seja ouvida, porque estamos falando em nome do direito à educação e da dignidade dos estudantes da zona rural.
Atenciosamente,
Maria Eduarda
Samia
Ana (Grazyely)

