Isis Valverde surpreendeu ao revelar que foi internada três vezes neste ano devido a uma condição autoimune crônica, chamada doença celíaca, com a qual convive desde os 19 anos de idade. Para entender o diagnóstico da atriz, que atualmente está com 39 anos, o portal LeoDias entrevistou uma especialista no tema de saúde.
A coloproctologista Aline Amaro esclareceu como a condição afeta a vida dos pacientes. “De forma ampla, porque não se trata apenas de uma sensibilidade alimentar simples, mas de uma condição autoimune crônica em que o organismo reage de maneira inadequada ao glúten, proteína presente no trigo, cevada e centeio. Quando uma pessoa com predisposição genética consome glúten, o sistema imunológico desencadeia uma inflamação no intestino delgado que danifica suas vilosidades, estruturas responsáveis pela absorção de nutrientes. Isso compromete a absorção de vitaminas, minerais, proteínas e gorduras, podendo gerar repercussões importantes no organismo, como anemia, perda de peso, fadiga intensa, osteopenia, osteoporose e até prejuízo no crescimento em crianças e adolescentes”, explicou.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Isis ValverdeCrédito: Christy Barley Isis ValverdeCrédito: Priscila Prade Isis ValverdeCrédito: Christy Barley Isis ValverdeCrédito: Divulgação Isis ValverdeCrédito: Reprodução @isisvalverde
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A especialista também alertou sobre os sintomas da doença celíaca: “Podem ser bastante variados e nem sempre se manifestam da forma clássica que muitas pessoas imaginam. Embora diarreia crônica, distensão abdominal, gases excessivos, dor abdominal e perda de peso sejam sinais conhecidos, muitos pacientes apresentam sintomas mais sutis ou até manifestações fora do intestino. Cansaço persistente, anemia ferropriva sem causa aparente, queda de cabelo, aftas recorrentes, irritabilidade, alterações de humor, osteoporose precoce, infertilidade e alterações neurológicas, como formigamentos, podem ser pistas importantes. Isso faz com que o diagnóstico muitas vezes seja retardado por anos”, disse.
“Outro ponto importante é que alguns pacientes apresentam poucos sintomas digestivos, ou até nenhum sintoma intestinal evidente, mas já possuem inflamação intestinal significativa. Isso torna o olhar clínico ainda mais importante, especialmente diante de quadros persistentes. Pessoas com histórico familiar da doença, diabetes tipo 1, doenças autoimunes da tireoide e outras condições imunológicas têm maior risco e merecem investigação. O diagnóstico deve ser feito por meio de exames sorológicos específicos e, em muitos casos, confirmado com endoscopia digestiva alta com biópsias do intestino delgado”, acrescentou a médica.
Vale ressaltar que a doença celíaca não tem cura definitiva, já que se trata de uma condição autoimune com base genética. “Isso significa que a predisposição permanece ao longo da vida. No entanto, ela pode ser extremamente bem controlada quando o paciente segue rigorosamente o tratamento adequado. Ao retirar completamente o glúten da alimentação, a inflamação intestinal tende a regredir progressivamente, permitindo a recuperação das vilosidades intestinais e o restabelecimento da absorção normal de nutrientes. Com o tratamento correto, a maioria dos pacientes apresenta melhora expressiva dos sintomas, recuperação nutricional e redução do risco de complicações futuras”, destacou a coloproctologista.
Aline Amaro pontuou que o único tratamento comprovadamente eficaz para a condição é a exclusão completa e permanente do glúten da dieta. “Isso inclui a retirada de todos os alimentos que contenham trigo, cevada, centeio e, em alguns casos, aveia não certificada, já que ela frequentemente sofre contaminação cruzada durante o processamento industrial. Não existe medicação que substitua essa conduta. O sucesso do tratamento depende diretamente da adesão rigorosa à dieta e do entendimento detalhado sobre onde o glúten pode estar presente, inclusive em produtos industrializados, molhos, medicamentos e suplementos”, declarou.
“O acompanhamento multidisciplinar é fundamental. O médico monitora a evolução clínica e a recuperação da mucosa intestinal, enquanto o nutricionista ajuda na reorganização alimentar e na prevenção de deficiências nutricionais. Em alguns casos, pode ser necessário repor vitaminas e minerais, especialmente ferro, vitamina D, cálcio, vitamina B12 e ácido fólico. Além disso, a educação alimentar é essencial para evitar restrições excessivas desnecessárias e garantir uma alimentação equilibrada, segura e nutricionalmente adequada”, completou a profissional.
A médica ainda detalhou como o paciente pode reagir em caso de ingestão de glúten: “Varia bastante entre os pacientes. Alguns desenvolvem sintomas agudos poucas horas após a exposição, como dor abdominal intensa, distensão, diarreia, náuseas, vômitos, mal-estar e fadiga importante. Outros podem não perceber sintomas imediatos, mas ainda assim sofrer ativação inflamatória intestinal silenciosa. Isso é especialmente preocupante porque a ausência de sintomas não significa ausência de lesão. A resposta depende da sensibilidade individual, da quantidade ingerida e do tempo de exposição”, explicou.
“Na maioria das vezes, a ingestão acidental causa desconforto transitório e não exige internação. No entanto, exposições repetidas ou intensas podem agravar significativamente o quadro inflamatório e levar a desidratação, desequilíbrios metabólicos e piora nutricional, especialmente em crianças, idosos ou pacientes com doença ativa e descompensada. Casos graves podem exigir avaliação hospitalar, principalmente quando há vômitos persistentes, diarreia intensa ou sinais de desidratação. Além disso, a exposição contínua ao glúten aumenta o risco de complicações crônicas, como desnutrição severa, osteoporose e, em situações raras, linfoma intestinal”, concluiu Aline Amaro.

