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“Ele recuperou a liberdade, eu perdi a minha”, desabafa vítima do cantor João Lima

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“Ele recuperou a liberdade, eu perdi a minha”, desabafa vítima do cantor João Lima

Atenção: a matéria a seguir traz relatos sensíveis de agressão e abuso sexual e pode ocasionar gatilhos sobre estupro, violência contra a mulher e violência doméstica. Caso você seja vítima deste tipo de violência, ou conheça alguém que passe ou já passou por isso, procure ajuda e denuncie. Ligue para o 180.

A sensação de impunidade e o pavor de uma nova tragédia tomaram conta da rotina de Raphaella Brilhante. Após a Justiça conceder liberdade provisória ao cantor João Lima na última terça (26/5), a médica e influenciadora, que foi vítima de agressões e de uma tentativa de feminicídio, quebrou o silêncio. Em entrevista exclusiva ao portal LeoDias, ela e sua mãe, Kellyane, abriram o coração sobre o impacto devastador da decisão judicial.

A notícia de que o ex-marido deixou o Presídio do Róger, em João Pessoa (PB), caiu como uma bomba para a jovem. O trauma da violência física e psicológica ainda está muito presente, agravado pelas condições de saúde de Raphaella.

Veja as fotosAbrir em tela cheia Raphaella BrilhanteCrédito: Reprodução Globo João Lima estava preso no Presídio do Roger, em João Pessoa (PB), desde janeiroCrédito: Reprodução TV Cabo Branco Kellyane, mãe de Raphaella BrilhanteCrédito: Reprodução Globo

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“Foi uma das notícias mais dolorosas da minha vida, porque eu não estou falando de alguém que apenas me machucou emocionalmente. Eu fui hospitalizada, meu corpo inteiro gelou. Eu sou asmática e tenho apenas 27% da minha capacidade pulmonar. E mesmo sabendo disso, ele tentou me matar por meio de asfixia”, relembrou a vítima, com a voz embargada.

Apesar das medidas cautelares impostas pela Justiça, como o uso de tornozeleira eletrônica, o sentimento de vulnerabilidade é constante. “Sinceramente, não me sinto segura. E o que mais dói é perceber que, no momento em que ele recuperou o direito da liberdade, eu perdi o meu. Porque hoje eu vivo com medo constante… E isso é muito sério porque se mesmo com todas as provas uma mulher ainda vive assim, qual mensagem estamos passando para as outras vítimas?”, questionou.

O peso da exposição e a sensação de impotência
Para provar as agressões que sofreu logo nos primeiros dias de casamento, Raphaella precisou entregar vídeos e imagens sensíveis às autoridades. Todo o esforço de reviver o trauma e expor sua intimidade pareceu insuficiente diante da soltura do cantor após apenas quatro meses de prisão.

“É impossível não ficar profundamente abalada, porque eu fiz de tudo que uma vítima é orientada a fazer. Denunciei, apresentei provas, enfrentei exposição pública e até uma exposição extremamente dolorosa da minha intimidade para tentar provar a violência que sofri”, desabafou.

A médica e influenciadora revelou ainda que parte do material entregue à Justiça é altamente sensível: “Existem provas que não vieram a público, mas em que meu corpo está completamente exposto. E mesmo sendo extremamente humilhante para mim como mulher, eu precisei entregar tudo isso à Justiça e, ainda assim, ele foi solto. Então o sentimento que fica é de medo e impotência, porque parece que, para uma mulher se sentir protegida, nunca é suficiente”.

A dor de uma mãe e o recomeço
A família de Raphaella tem sido um escudo fundamental neste momento de pânico. Para Kellyane, mãe dela, ver o agressor da filha nas ruas é um pesadelo inexplicável.

“É devastador. Como mãe, eu senti minha filha nascer de novo no dia em que sobreviveu. Eu vi minha filha quase morrer. E agora, depois de tudo isso, saber que o homem que tentou tirar a vida dela está em liberdade enquanto ela está em casa, assustada, com medo, à base de medicamentos… É uma dor que nenhuma mãe consegue explicar. A sensação que me dá é que a vítima continua presa ao medo enquanto o agressor recupera a liberdade. Isso dói muito, dói demais”, afirmou Kellyane ao portal LeoDias.

Apesar do cenário desolador, Raphaella tenta encontrar forças para seguir em frente. Ao ser questionada sobre seu maior pilar, ela destacou a fé e a maternidade. “Sem sombra de dúvidas, o meu maior pilar tem sido Deus. Ele que tem me sustentado de uma forma tremenda durante todo esse processo, e principalmente agora, meus pais, que têm sido um abrigo e uma cura para mim. Além de Deus, a minha princesinha, minha filhinha tão pequenininha, mas que tem sido um sopro de ar puro e um motivo para eu continuar mesmo diante de toda essa dor”, desabafou.

Raphaella finalizou a entrevista com uma mensagem de gratidão à rede de apoio que formou nas redes sociais: “Também sou muito grata a todos vocês que estão lutando comigo, porque mesmo de longe eu me sinto abraçada para poder continuar lutando não só por mim, não só por minha filha, mas por todas as mulheres que não conseguiram dar o último grito e que ainda estão lutando para sobreviver”.

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