Depois de muitas duvidas e especulações, parece que o cerco fechou de vez para as maiores facções criminosas do Brasil. A decisão do governo dos Estados Unidos de rotular o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras promete esquentar o clima político em Brasília. O portal LeoDias explica agora o que isso pode significar na prática.
Com a medida assinada por Donald Trump entrando em vigor no próximo dia 5 de junho, as regras do combate ao tráfico mudam drasticamente no cenário internacional. O principal alvo dessa nova ofensiva americana, que foi confirmada após a pressão de Flávio e Eduardo Bolsonaro, é o caixa do crime.
Veja as fotosAbrir em tela cheia O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou o encontro com o presidente Lula como “muito bom”.Ricardo Stuckert/PR Donald TrumpReprodução: CNN Donald TrumpReprodução / YouTube
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A partir de agora, o PCC e o CV estão sumariamente banidos do sistema financeiro internacional, que é fortemente ancorado no dólar. O governo dos EUA ganha aval para congelar imediatamente qualquer bem ou conta atrelada às facções em sua jurisdição.
Além disso, a medida serve como um ultimato para o mercado: bancos brasileiros e multinacionais que facilitarem transações para esses grupos correm o risco de sofrer retaliações pesadíssimas do Tesouro americano. O alerta de risco jurídico para empresas que operam em áreas dominadas pelo tráfico no Brasil também deve disparar.
Inteligência agressiva e fronteiras fechadas
O combate ao narcotráfico brasileiro agora é tratado como uma questão de segurança nacional para a Casa Branca. Na prática, isso dá carta branca para que as agências de inteligência dos Estados Unidos intensifiquem o rastreamento e adotem posturas mais agressivas na caça aos líderes criminosos.
Prestar qualquer tipo de apoio material ou financeiro a essas facções virou crime federal nos EUA. E, se algum membro ou associado planejava viajar para lá, os planos estão cancelados: as barreiras imigratórias foram totalmente fechadas, com banimento severo para pessoas ligadas aos dois grupos.
O efeito bumerangue em Brasília
A bomba, por outro lado, não explodiu apenas no submundo do crime; os estilhaços atingiram o Palácio do Planalto. A decisão gerou um incômodo diplomático com a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O governo brasileiro vê a movimentação com cautela, temendo que ações estrangeiras firam a soberania nacional na condução da segurança pública, e defende saídas multilaterais entre os países da América Latina.
O clima esquenta ainda mais por estarmos no ano das eleições presidenciais de outubro de 2026. Como o enquadramento do Departamento de Estado americano ocorreu logo após um forte lobby da oposição brasileira em Washington, encabeçado pelo senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, o tema já virou munição pesada para a polarização nas urnas.
Com isso, o cenário transforma a segurança pública no principal campo de batalha da disputa eleitoral.

