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Hantavírus: OMS faz alerta sobre novos casos e esclarece se há risco de pandemia

Por Portal Leo Dias 08/05/2026 08:34
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta quinta-feira que ainda existe a possibilidade de surgirem novos registros de hantavírus relacionados ao surto identificado no navio de expedição MV Hondius. Até o momento, a ocorrência já resultou em três mortes e oito casos suspeitos ou confirmados da doença. Mesmo diante do cenário, a entidade internacional acredita que a disseminação deve permanecer “limitado” caso os protocolos sanitários continuem sendo seguidos.

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O episódio colocou o cruzeiro sob atenção internacional desde o último fim de semana. A embarcação segue navegando rumo à ilha de Tenerife, no arquipélago das Canárias, na Espanha. A previsão é de que aproximadamente 150 pessoas entre passageiros e tripulantes deixem o navio a partir da próxima semana.

Veja as fotosAbrir em tela cheia OMS falou de transmissão de hantavírus entre passageiros de cruzeiroCrédito: Divulgação Antarctica Cruises Roedores silvestres são reservatórios do hantavírusCrédito: Reprodução OMS falou de transmissão de hantavírus entre passageiros de cruzeiroCrédito: Divulgação

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Atualmente, não há vacina nem tratamento específico contra o hantavírus, enfermidade normalmente transmitida por contato com roedores infectados. As análises realizadas nos passageiros do MV Hondius identificaram a variante Andes, considerada a única cepa conhecida capaz de apresentar transmissão entre humanos em circunstâncias de contato extremamente próximo.

“Até hoje, foram registrados oito casos, incluindo três mortes. Cinco desses oito casos foram confirmados como causados pelo hantavírus, e os outros três são suspeitos”, declarou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante pronunciamento em Genebra.

Segundo ele, devido ao fato de a cepa Andes apresentar período de incubação que pode chegar a seis semanas, “é possível que mais casos sejam relatados”.

As vítimas fatais ligadas ao surto são um casal holandês e uma turista alemã. O cruzeiro havia partido em 1º de abril de Ushuaia, na Argentina, com destino a Cabo Verde.

Há ainda passageiros internados ou sendo monitorados por equipes médicas em países como Holanda, Suíça, Alemanha e África do Sul.

OMS descarta pandemia
A OMS reforçou que o episódio não deve ser comparado à pandemia de covid-19 e afirmou que o risco de disseminação global segue considerado baixo.

“Não é o começo de uma pandemia”, afirmou Maria Van Kerkhove, responsável pela área de prevenção e preparação para epidemias da organização, durante coletiva realizada após o início da crise sanitária.

O diretor de operações de emergência da OMS, Abdi Rahman Mahamud, também declarou que o avanço do surto tende a permanecer “limitado se forem implementadas medidas de saúde pública e houver solidariedade entre todos os países”.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump afirmou na noite de quinta-feira que a situação está “amplamente sob controle” e disse que um relatório detalhado seria apresentado nesta sexta-feira.

Investigação tenta descobrir origem da infecção
As autoridades ainda não conseguiram determinar onde ocorreu o primeiro contágio. De acordo com a OMS, o primeiro passageiro morto, um holandês de 70 anos, começou a apresentar sintomas em 6 de abril, poucos dias após embarcar, o que indica que a infecção pode ter ocorrido antes do início da viagem.

O casal havia passado por Chile, Uruguai e Argentina antes de subir a bordo do navio.

O Ministério da Saúde chileno informou que considera improvável que a infecção tenha acontecido no Chile, alegando que a permanência no país ocorreu “em um período que não corresponde ao de incubação”.

Já o governo argentino afirmou que, “com as informações fornecidas até o momento (…) não é possível confirmar a origem do contágio”.

O hantavírus é considerado endêmico em determinadas áreas da Argentina, especialmente na região da Cordilheira dos Andes. Nos últimos anos, o país registrou cerca de 60 casos anuais da doença.

Passageiros seguem no navio
Mesmo com o surto, pessoas de aproximadamente 20 nacionalidades continuam a bordo do MV Hondius.

“Não há pessoas com sintomas a bordo”, informou a empresa responsável pela embarcação, a Oceanwide Expeditions, após a retirada de três passageiros na quarta-feira.

Em comunicado enviado à imprensa, dois turistas franceses afirmaram que a rotina dentro do cruzeiro permanece “praticamente normal”.

Enquanto isso, autoridades sanitárias monitoram os deslocamentos de 30 passageiros que desembarcaram entre os dias 22 e 24 de abril na ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, para identificar possíveis infectados ou pessoas que tiveram contato próximo com os casos confirmados.

Na ilha britânica, que possui cerca de 4.400 moradores, o clima é de preocupação. Ainda assim, representantes locais destacaram que “mais de 95%” da população não manteve contato direto com passageiros do navio.

Entre os passageiros que passaram por Santa Helena estavam o primeiro holandês morto, em 11 de abril, e sua esposa, que morreu em Johannesburgo no dia 26 de abril.

Em Singapura, dois idosos que estiveram na ilha permanecem isolados enquanto aguardam resultados de exames. Um deles apresenta secreção nasal. Um cidadão francês que viajou de avião ao lado de um caso confirmado e manifesta “sintomas leves” também segue em isolamento.

De acordo com Tedros, o comandante do navio relatou que “o moral melhorou consideravelmente” desde a retomada da rota em direção à Espanha.

Chegada às Canárias provoca preocupação
A previsão de chegada do MV Hondius às Canárias ainda gera apreensão entre moradores da região.

“Não era nada e depois veja só”, afirmou à AFP o aposentado Marco González, residente em Granadilla de Abona, município onde deve ocorrer a operação de retirada dos passageiros.

O governo regional declarou ser contrário à atracação do navio em Tenerife e informou que a embarcação permanecerá ancorada afastada da costa.

Segundo autoridades locais, o desembarque será realizado “com uma lancha ou uma embarcação-mãe que possa ir, buscá-los, transportá-los e levá-los ao aeroporto de Tenerife Sul”.

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