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ENTRETENIMENTO

Melanoma: câncer de pele mais agressivo pode surgir de uma pinta “comum”; especialista alerta

Por Portal Leo Dias 07/05/2026 14:33
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Maio é marcado pela campanha de conscientização sobre o melanoma, considerado o tipo mais agressivo de câncer de pele. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) entre 2026 e 2028, o país deve registrar cerca de 263 mil novos casos anuais de câncer de pele não melanoma. Já o melanoma deve representar aproximadamente 8.980 diagnósticos por ano.

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Em entrevista ao portal LeoDias, o médico cirurgião geral e oncológico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), Felipe Conde, explicou o que torna o melanoma tão perigoso.

Veja as fotosAbrir em tela cheia Melanoma, câncer de pele mais agressivoFoto: Divulgação Regra ABCDE para identificar o melanoma Melanoma, câncer de pele mais agressivoFoto: Divulgação Melanoma, câncer de pele mais agressivoFoto: Divulgação

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Embora seja menos comum, o melanoma preocupa pela alta capacidade de disseminação para outros órgãos quando não identificado precocemente. A doença pode surgir como uma nova pinta ou se desenvolver a partir de lesões já existentes na pele.

“O melanoma se diferencia dos outros tumores de pele porque ele vem dos melanócitos, que são células que dão cor à pele, e também pela sua capacidade de crescer, se infiltrar e gerar metástase. Então ele é um tumor mais agressivo”, iniciou o médico.

Entre os principais sinais de alerta estão alterações em pintas e lesões na pele. Mudanças na coloração, crescimento rápido, coceira, sangramentos e feridas que não cicatrizam precisam de avaliação médica.

“Temos que ficar alerta a lesões na pele que mudam de cor, que crescem, que sangram, que coçam e principalmente que não cicatrizam com o passar das semanas uma coisa que é muito importante também no melanoma é que ele pode surgir de pintas já existentes então essa pinta se também tiver essas alterações ela precisa ser investigada”, alertou o especialista.

Segundo o médico, até mesmo pintas antigas precisam de acompanhamento regular. “Já as pintas existentes, elas têm que ser avaliadas pelo menos uma vez ao ano e tem que ficar bem atento a algumas características, se ela está crescendo, se ela está com as bordas irregulares, se ela desenvolve múltiplas cores, aí sim tem que antecipar essa avaliação.”

Regra do ABCDE ajuda a identificar sinais suspeitos
Uma das formas mais conhecidas de identificar possíveis melanomas é a chamada regra do ABCDE, utilizada por médicos para avaliar características suspeitas nas lesões.

A – Assimetria, B – Bordas irregulares, C – Cor variada, D – Diâmetro > 6mm, E – Evolução.

“O ABCDE é muito importante para nós diferenciarmos ou suspeitarmos de uma pinta, uma lesão que seja benigna de um melanoma. A vem de assimetria, uma lesão que fica assimétrica. D vem de bordas, as bordas ficam irregulares com melanoma. C de cor, a cor varia, não fica só preta, ela muda, pode ter marrom, vermelho, por exemplo. D é o diâmetro, um diâmetro maior que 6 milímetros. E E de evolução, onde uma pinta, por exemplo, normal vai crescendo e vai evoluindo. Então, esses são os critérios para chamar a atenção, não só do paciente, como do médico que investiga.”

A exposição solar continua sendo o principal fator de risco para o desenvolvimento da doença. O especialista destaca que os danos causados pela radiação ultravioleta se acumulam ao longo dos anos.

“A exposição solar, sim, é o principal fator de risco. A radiação ultravioleta, com o passar dos anos, vai penetrando a célula, vai gerando inflamações e alterações nas células que podem gerar o câncer. Mas outros fatores são muito importantes. O histórico familiar, o histórico de queimadura na infância, múltiplas pintas e uma coisa que tem que ser abolida, que são as câmaras de bronzeamento artificial. Elas, sim, podem gerar melanoma e outros tumores de pele”, explicou.

Diagnóstico precoce pode elevar chances de cura para mais de 90%
O médico ressalta que descobrir a doença ainda nos estágios iniciais faz diferença decisiva no tratamento.

“O diagnóstico precoce, ele sim faz muita diferença no melanoma. Diagnósticos iniciais a gente consegue curar acima de 90% dos pacientes. Já se tiver metástase ou se o tumor for muito profundo, acometer os linfonodos, esse número cai drasticamente. Então é muito importante o rastreio que é ir no dermatologista uma vez ao ano, ficar atento à mudança do corpo, das pintas, Porque o diagnóstico precoce sim, ele trata e ele cura.”

Quando há suspeita de melanoma, o primeiro passo é a realização de uma biópsia. Após a confirmação do diagnóstico, a cirurgia costuma ser indicada para retirada da lesão com margem de segurança.

“Para o diagnóstico e para o tratamento cirúrgico, primeiro nós precisamos da biópsia numa lesão suspeita. Essa biópsia pode ser feita no consultório, por exemplo. Depois que tem o diagnóstico, precisa fazer a ressecção da lesão com margem de segurança. Dependendo da profundidade, da extensão do tumor, nós precisamos fazer essa ressecção ampla e também a pesquisa dos gânglios, que é chamada de linfonodo sentinela. depois desse tratamento cirúrgico nós temos o estadiamento completo e saberemos se o paciente está curado ou se ele vai precisar de algum tratamento complementar como por exemplo a imunoterapia.”

Nos casos mais avançados, o melanoma pode atingir vasos linfáticos e a corrente sanguínea, favorecendo o surgimento de metástases.

“O melanoma se espalha para os outros órgãos de acordo com a profundidade da lesão. Então quanto mais precoce, mais inicial a lesão, menor é essa chance. Quanto mais avançado ele penetra o tecido e vai ganhando os vasos linfáticos, a corrente sanguínea e aí sim pode gerar metástases. É mais comum nós vermos a metástase para linfonodos e posteriormente para órgãos, mas isso em tumores mais avançados.”

Erros comuns na prevenção
Mesmo com campanhas frequentes de conscientização, ainda há hábitos considerados perigosos. Entre eles, a exposição solar em horários inadequados e o uso incorreto do protetor solar.

“Os vírus mais comuns são cometidos na prevenção do câncer de pele e do melanoma é a exposição solar no horário errado, o ideal é que seja antes das 10 e após as 16 horas. A aplicação de protetor solar com fator de proteção baixo, o ideal é que seja um fator alto, acima de 30, e a reaplicação de forma contínua. É importante frisar que todas as áreas que serão expostas têm que ser cobertas pelo protetor. Além disso, uma consulta com o dermatologista uma vez ao ano e a realização da dermatoscopia digital em caso de pacientes que tenham múltiplas pintas.”

Ao final, o especialista reforçou a importância da prevenção e da atenção aos sinais do corpo durante a campanha Maio do Melanoma.

“A mensagem que eu quero deixar no Maio do Melanoma é que o câncer de pele é o câncer mais comum, não só no Brasil como no mundo, e o melanoma é um tumor muito agressivo. Nós vivemos num país que temos sol abundante o ano todo e vivemos sob exposição solar. Então é importante fazer um exame rotineiro anual com dermatologista e ficar atento a novas lesões, as pintas pré-existentes, porque o diagnóstico precoce ele cura e ele salva vidas.”

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