Início / Versão completa
DESTAQUE

Organizações repudiam fala de Bocalom sobre indígenas e criticam abertura de estradas em áreas protegidas

Por Marcos Henrique 08/05/2026 08:39
Publicidade

Organizações ligadas à defesa dos povos indígenas e da Amazônia divulgaram uma nota pública criticando declarações feitas pelo ex-prefeito de Rio Branco e pré-candidato ao governo do Acre, Tião Bocalom, durante entrevista ao programa “Gazeta Entrevista”.

Publicidade

A manifestação foi assinada pela Conexão Cipó e pela Comissão Transfronteiriça Juruá–Yurúa–Alto Tamaya. As entidades afirmam que as falas do político reforçam estereótipos históricos contra os povos indígenas e minimizam debates considerados importantes sobre proteção ambiental e desenvolvimento sustentável.

Durante a entrevista, Bocalom afirmou que “índio hoje não quer mais ficar lá no mato comendo bicho”, declaração que provocou reação imediata das organizações.

Na nota, as entidades afirmam que o discurso desconsidera a complexidade das discussões sobre preservação ambiental, territórios indígenas e projetos de infraestrutura na Amazônia.

Publicidade

Segundo o documento, declarações desse tipo acabam deslocando o foco de temas como prevenção ambiental, proteção territorial e governança socioambiental para uma visão baseada apenas na aceleração de obras e empreendimentos.

As organizações também argumentam que a fala enfraquece a importância de estudos técnicos, licenciamento ambiental e mecanismos de participação social previstos na legislação brasileira.

Outro ponto destacado pelas entidades é a preocupação com os impactos da abertura de estradas e ramais sem planejamento adequado, especialmente em áreas de fronteira entre Acre e Peru. Conforme a nota, obras sem controle podem facilitar invasões territoriais, grilagem de terras, exploração ilegal de madeira, avanço do narcotráfico e aumento da violência contra comunidades tradicionais.

“As reivindicações dos povos indígenas não são contra o desenvolvimento, mas contra a ausência de planejamento e o desrespeito às leis”, afirmam as organizações no documento.

A nota também rebate posicionamentos favoráveis à abertura de estradas em áreas protegidas sem a realização de estudos ambientais e consultas previstas em lei. Para as entidades, respeitar direitos indígenas e seguir os processos legais não representa obstáculo ao desenvolvimento, mas uma condição necessária para garantir equilíbrio entre crescimento econômico, justiça social e preservação ambiental.

As organizações destacam ainda que o acesso à internet, saúde, educação e infraestrutura é uma demanda legítima dos povos da floresta, mas afirmam que isso não deve ser usado como justificativa para obras realizadas sem planejamento.

Segundo o documento, muitas dessas vias acabam sendo utilizadas historicamente por madeireiros ilegais, grileiros e grupos ligados a atividades criminosas.

As entidades também defenderam a atuação de órgãos ambientais e do Ministério Público Federal (MPF), afirmando que ações para exigir licenciamento ambiental e suspender obras irregulares fazem parte das garantias previstas na Constituição.

Ao final da manifestação, as organizações reafirmaram a defesa dos direitos indígenas, da proteção ambiental e de políticas públicas baseadas em estudos técnicos, participação social e desenvolvimento sustentável na Amazônia.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.