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Torneira furada: Acre desperdiça 56% da água tratada e amarga o 5º pior índice de perdas do Brasil

Tratar a água para depois deixá-la escorrer pela terra. Esse é o cenário desenhado pelo “Estudo de Perdas de Água 2026”, publicado nesta terça-feira (9) pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados. O levantamento, baseado nos dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), revela que o Acre desperdiça impressionantes 56,48% de toda a água potável distribuída em suas redes de abastecimento.

O índice acreano deixa o estado em uma situação alarmante, muito acima da média de desperdício nacional, que já é considerada alta (39,53%). Com esse desempenho, o Acre se consolida na quinta pior posição do ranking nacional. O topo desse vexame estatístico é liderado por Alagoas (66,90%), seguido por Roraima (65,97%), Pará (57,33%) e Maranhão (56,68%).

Mil litros jogados no lixo por dia

O buraco na eficiência é ainda mais profundo quando analisado o indicador de perdas por ligação ativa. No Acre, cada conexão de água joga no lixo, em média, 961,18 litros de água tratada por dia. É o segundo pior resultado de todo o país, ficando atrás apenas de Roraima (1.145,21 litros/dia). Para se ter uma dimensão do absurdo, a média brasileira de desperdício por ligação é de 349,09 litros diários — quase três vezes menor que a registrada em solo acreano.

Os números mostram que o estado está em marcha lenta para alcançar as metas federais estipuladas pela Portaria nº 788/2024 do Ministério das Cidades. A legislação exige que os municípios reduzam as perdas na distribuição para no máximo 30% até 2032, e para 25% a partir de 2033. Atualmente, o Acre opera com quase o dobro do limite tolerado.

Rio Branco figura no “Top 10” do desperdício

A incompetência na gestão hídrica estadual se reflete diretamente na capital. Entre os 99 maiores municípios populosos do Brasil analisados pelo Trata Brasil, Rio Branco aparece na amarga 90ª posição do ranking de eficiência.

Na capital acreana, 53,35% da água tratada se perde pelo caminho, colocando a cidade no vergonhoso grupo dos dez piores desempenhos municipais do país no setor de saneamento.

Segundo os especialistas, o ralo do desperdício se divide em duas frentes:

Por: Victor Bastos

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