Com mais de três décadas de carreira no jornalismo, Adriana Araujo abriu o coração ao conversar com o colunista e apresentador da LeoDias TV, Flávio Ricco. Durante a entrevista, a atual âncora do “Jornal da Band” abordou temas que marcaram sua trajetória pessoal e profissional, desde os desafios da maternidade até a responsabilidade de debater questões sociais e políticas em tempos de redes sociais.
Ao falar sobre a interação com o público, Adriana revelou que costuma ler mensagens de ouvintes e telespectadores, inclusive aquelas que discordam de suas opiniões, desde que o debate seja feito de forma respeitosa.
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Porém, a jornalista contou que um dos aspectos mais delicados de sua presença nas redes sociais está relacionado aos relatos que recebe de mulheres vítimas de violência. Segundo ela, as mensagens costumam trazer histórias dolorosas que muitas vezes não consegue responder individualmente. “Às vezes, no meu final de semana de folga, eu vou lá e dou uma passada nas mensagens pra pensar algumas, que são mulheres que querem falar comigo e que eu tento dar uma resposta. Mas assim, centenas, talvez milhares, ficam sem resposta. Então, isso me aflige um pouco”, admitiu.
Adriana explicou que administra pessoalmente suas redes sociais e não conta com uma equipe dedicada ao gerenciamento de sua imagem digital. Por isso, apesar de tentar responder parte das mensagens, muitas acabam sem retorno. Mesmo assim, ela afirmou que os relatos recebidos têm impacto direto em seu trabalho. De acordo com a jornalista, as experiências compartilhadas por essas mulheres ajudam a dar mais profundidade aos comentários que faz sobre casos de violência de gênero no “Jornal da Band”.
Crítica aos “candidatos TikTok” e defesa de mais mulheres no poder
Outro tema abordado na conversa foi o cenário político brasileiro e a influência das redes sociais nas campanhas eleitorais. Para Adriana, o eleitorado precisa encarar as próximas eleições com mais responsabilidade e atenção às propostas dos candidatos, sem transformar a disputa em um espetáculo baseado apenas em memes e viralizações.
A jornalista demonstrou preocupação com o crescimento do que definiu como “candidato TikTok”, ou seja, políticos que apostam mais em tendências das redes sociais do que na apresentação de ideias concretas. Segundo ela, os eleitores devem priorizar candidatos que exponham propostas e estejam preparados para debater soluções para os problemas do país. “Eu quero candidatos/candidatas que olham e expõem uma ideia, que defendem uma ideia, e eu vou ter o direito de pensar sobre aquela ideia. Se eu concordo, se eu discordo”, destacou.
Adriana também falou da importância da ampliação da participação feminina nos espaços de poder, defendendo maior presença das mulheres na política, no Judiciário, no setor privado e em posições de liderança. “Fico muito atenta sempre às candidatas, que eu acho que a gente também precisa buscar uma equiparação do acesso das mulheres às cadeias de comando no país, não só na política”, argumentou.
Maternidade como transformação pessoal
Em um dos momentos mais emocionantes da entrevista, Adriana relembrou o nascimento da filha Giovanna, que veio ao mundo quando ela tinha apenas 25 anos e ainda dava os primeiros passos na carreira de repórter em Belo Horizonte, Minas Gerais.
A jornalista contou que viveu simultaneamente dois processos desafiadores: a construção da carreira e a busca por tratamentos para a filha, que nasceu com deficiência física e precisou passar por diversas cirurgias ao longo da infância.
Mãe solo durante parte da criação da filha, Adriana afirmou que a experiência transformou completamente sua visão de mundo. “Ela me transformou. Ela me ensinou coisas e me ensina coisas extraordinárias”, disse.
Ao recordar os comentários preconceituosos que ouviu quando Giovanna era criança, a jornalista revelou que muitas pessoas enxergavam apenas as dificuldades da situação. Para ela, porém, a convivência com a filha representou uma oportunidade de crescimento humano, consciência social e aprendizado sobre respeito e inclusão.
Ao longo da conversa, a jornalista reforçou que tanto a maternidade quanto o contato constante com histórias de superação e violência contribuíram para moldar sua atuação profissional, tornando-a mais sensível às questões sociais que acompanha diariamente no jornalismo.



