Os chefes do B13 governavam o crime de dentro das unidades penitenciárias através de uma rede complexa de comunicação clandestina que burlava a fiscalização do Estado. Uma investigação detalhada conduzida pelas forças de inteligência da segurança pública do Acre revelou os bastidores de como as lideranças da facção Bonde dos 13 (B13) conseguiam ditar ordens operacionais, coordenar execuções de rivais e gerenciar o tráfico de entorpecentes mesmo estando trancadas em pavilhões de segurança máxima. A apuração policial aponta que o esquema dependia diretamente do uso de aparelhos celulares contrabandeados para o interior das celas, bilhetes manuscritos conhecidos no submundo carcerário como “botes” e a transmissão verbal de mensagens por meio de visitas íntimas e assessoria jurídica desviada de sua função institucional, que atuava como pombos-correios.
O monitoramento técnico e as interceptações telefônicas realizadas pelas equipes de investigação especializada capturaram dezenas de diálogos explícitos onde as lideranças do primeiro escalão da organização criminosa decidiam sobre a partilha de territórios para a venda de drogas nos bairros periféricos e decretavam a morte de integrantes de grupos rivais. Essa estrutura hierárquica piramidal mantinha o controle absoluto do crime organizado nas ruas da capital e do interior, mesmo com os principais cabeças isolados nos presídios estaduais. O relatório policial demonstra com clareza que o rigor das ordens emanadas de dentro do sistema prisional servia para manter a disciplina interna e garantir o fluxo financeiro contínuo da facção, alimentado pelo monopólio do tráfico de armas e entorpecentes.
Diante do diagnóstico preocupante de que os chefes do B13 governavam o crime com relativa facilidade a partir do ambiente de confinamento, as autoridades do Instituto Administração Penitenciária (Iapen) e os promotores do Ministério Público Estadual intensificaram as vistorias estruturais diárias e aceleraram a instalação de bloqueadores de sinal de telefonia móvel nos presídios acreanos. Operações sigilosas de transferência de lideranças de alta periculosidade para presídios federais de segurança máxima situados em outras regiões do país também foram adotadas como uma medida estratégica urgente para quebrar o cordão umbilical definitivo entre os mandantes encarcerados e os executores operacionais que atuam nas esquinas das cidades.
O isolamento em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) tem sido a principal ferramenta jurídica e operacional utilizada pelos magistrados para neutralizar o poder de comando desses indivíduos, reduzindo significativamente os índices de violência urbana e as taxas de homicídios dolosos na região. O material probatório coletado ao longo das investigações, que inclui extensos relatórios de inteligência, mídias digitais interceptadas e depoimentos de testemunhas protegidas, foi devidamente compilado e encaminhado ao Poder Judiciário para embasar novas denúncias criminais robustas contra os detentos envolvidos nos esquemas de comunicação.
Os réus agora responderão por novos crimes autônomos de organização criminosa armada, associação para o tráfico de drogas e lavagem de capitais, o que pode estender suas penas combinadas por mais algumas décadas e retardar qualquer possibilidade legal de progressão de regime para o regime semiaberto. As forças de segurança pública do Acre reforçam que o fechamento definitivo desses canais de comunicação interna nos presídios é vital para desidratar a força financeira e bélica das facções, garantindo a paz social e a integridade da população em todo o território estadual. As operações integradas entre a Polícia Civil e a Polícia Militar permanecem ativas por tempo indeterminado para sufocar qualquer tentativa de reação por parte das bases da facção que ainda operam externamente.
Serviço da Ocorrência:
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O quê: Investigação sobre a comunicação de lideranças de facção criminosa em presídios
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Organização: Bonde dos 13 (B13)
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Mecanismos: Uso de celulares ilegais, bilhetes e redes de mensageiros para ditar ordens das celas
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Contramedida: Transferência de chefias para o sistema federal e intensificação do RDD no Acre
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Desfecho: Novo inquérito policial relatado ao Judiciário gera novos processos penais contra os detentos
Por: Victor Bastos

