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Copa sem clima: descaso, preços abusivos e falta de mobilização marcam vésperas do Mundial

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Copa sem clima: descaso, preços abusivos e falta de mobilização marcam vésperas do Mundial

Há três dias do começo da Copa do Mundo de 2026, o clima vivido nos Estados Unidos é completamente o oposto do esperado para um Mundial. Relatos ouvidos pela reportagem do Portal LeoDias, presente no local, mostram uma mistura de desinteresse da população local, descaso de autoridades públicas e preços abusivos praticados pela organização do evento.

Dificuldades impostas a imprensa
Sediada na cidade de Morristown, em Nova Jersey, onde a Seleção se prepara para o Mundial, a imprensa brasileira tem vivido um verdadeiro calvário nos primeiros dias de cobertura da Copa. A pequena infraestrutura da cidade, que tem apenas pouco mais de 20 mil habitantes, aliada a rigidez das autoridades locais, têm imposto verdadeiras dificuldades aos jornalistas.

Os profissionais têm sido impedidos de fazerem entradas ao vivo e coberturas de locais públicos, devido a imposições feitas por autoridades. Os únicos locais onde há certa tranquilidade é no hotel da Seleção Brasileira, onde ocorre as coletivas de imprensa, e no hotel onde a maior parte dos jornalistas estão hospedados.

Até mesmo imagens dentro do CT tem sido coibidas. Jornalistas tem sido impedidos de gravar parte da estrutura do Centro de Treinamento pela segurança local, podendo gravar apenas o treino da Seleção Brasileira durante o período autorizado pela CBF.

No entanto, não só jornalistas brasileiros têm tido problemas. Um correspondente argentino, do canal “Todo Noticias”, foi retirado da sala da imprensa onde o técnico da Argentina, Lionel Scaloni, iria responder perguntas no estado do Alabama pela segurança local. Mesmo credenciado, o motivo da exclusão não foi explicado.

A Associação Internacional de Imprensa Esportiva (AIPS) enviou uma reclamação formal à FIFA questionando o fato de jornalistas africanos e asiáticos estarem encontrando dificuldades para retirarem vistos para cobrir a competição.

Veja as fotosAbrir em tela cheia Copa do Mundo acontece em 2026Divulgação: FIFA A Espanha precisa evitar uma derrota por mais de seis gols para a Turquia, em duelo marcado para o Estádio La Cartuja, em Sevilha / Lamine YamalReprodução/Instagram: @sefutbol – Selección Española Masculina de Fútbol
Brasil perde amistoso para França na preparação para a Copa do Mundo / Reprodução: Rafael Ribeiro | CBF Brasil perde amistoso para França na preparação para a Copa do Mundo / Reprodução: Rafael Ribeiro | CBF Trump e Infantino na cerimôniaReprodução/Globo Gianni Infantino (presidente da FIFA); Donald Trump (presidente dos EUA); Claudia Sheinbaum (presidente do México) e Mark Carney (primeiro-ministro do Canadá) durante sorteio de cabeças de chave da Copa do Mundo de 2026 / Reprodução: FIFA Donald Trump, presidente dos Estados Unidos e Gianni Infantino, presidente da FIFAReprodução/x: ge

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Trem a R$ 500 e estacionamento a mais de R$ 1.000
Além dos já sabidos preços altos dos ingressos da Copa do Mundo, torcedores e jornalistas tem vivido um drama com o transporte. Além da dificuldade de andar pelo países que irão sediar o Mundial, os preços cobrados para estacionamentos e transportes públicos têm sido motivo de revolta entre torcedores e jornalistas.

Devido a falta de subsídios promovidos pela FIFA, governos locais têm aumentado substencialmente preços de transportes públicos. A partir desta segunda-feira (08/06), o trem que levará torcedores entre Nova Jersey e Nova York passará a custar U$ 98, mais de R$ 500 seguindo a conversão atual. O preço normalmente custa U$ 12,90 (ida e volta), o que dá aproximadamente R$ 67.

O aumento se deu após uma briga pública entre o governo de Nova Jersey que exigiu subsídios da FIFA para o aumento da operação do transporte que será o principal meio de transporte de turistas durante o Mundial.

Mas se engana quem acha que alugar o carro pode ser a solução. Além dos altos preços da gasolina no país (o galão que tem aproximadamente 3,8 litros está custando mais de 4 dólares), torcedores que irão ao Metlife Stadium, local da primeira partida do Brasil na Copa, terão que gastar incríveis 200 dólares (mais de R$ 1.037) para estacionar seus veículos durante as partidas. O valor cobrado, normalmente, varia de U$ 55 a U$ 75.

Problemas com vistos e instalações locais
Além das dificuldades encontradas pelos profissionais de imprensa e torcedores, as próprias equipes que irão disputar a competição tem encontrado imprevistos durante a preparação. Um caso marcante é a da Seleção Japonesa, que está sediada no México, mais especificamente na região metropolitana de Monterrey.

Ao chegar para iniciar os treinamentos no Centro de Treinamento do time Tigres, a delegação japonesa encontrou sérios problemas estruturais e péssimas condições dos gramados. A equipe moveu suas atividades para a Universidade de Nuevo León, no entanto, a qualidade das instalações e do gramado, novamente, desapontou, fazendo a equipe mudar novamente, desta vez para o CT do Monterrey.

Outras delegações também enfrentam questões graves quanto a concessão de vistos do governo norte-americano. O Iraque chegou a ter vistos negados para oito atletas meses antes da preparação, após o problema ser resolvido, um dos ídolos da equipe, o atacante Aymen Hussein acabou sendo detido na chegada da equipe no aeroporto de Chicago e imposto a um interrogatório de oito horas.

O Irã é outra Seleção que vive um drama quanto a concessão de vistos. Com o país vivendo uma guerra com os Estados Unidos no Oriente Médio, a Seleção Iraniana foi imposta a rígidas sanções. Além de serem obrigados a mudar a preparação dos EUA para o México, a equipe será obrigada a entrar e sair no país no mesmo dia para a realização das partidas da Copa do Mundo. Todos os três jogos da equipe na fase inicial serão disputados nos EUA.

Além disso, membros da comissão técnica e o presidente da federação, Mehdi Taj, tiveram vistos negados para entrar nos Estados Unidos.

Além de Irã e Iraque, a Suíça também conviveu com um problema de visto com seu principal jogador, o atacante Breel Embolo. O jogador teve sua entrada nos EUA negada por conta de um processo que sofre no país natal.

Protocolos de segurança rígidos e pouco convencionais também têm sido motivo de surpresa. A delegação de Uzbequistão foi obrigada a passar por uma rígida revista, que contou até com cachorros e detectores de metal, antes de entrar em um estádio em Nova York para a disputa de uma amistoso contra a Seleção da Holanda. Vale destacar que os holandeses não passaram pela mesma revista.

A Seleção de Senegal, já há mais de uma semana no país, foi obrigada a passar por uma revista na pista de pouso de um aeroporto nos Estados Unidos. O vídeo, que viralizou nas redes sociais, não especifica se a revista foi feita na chegada dos africanos ao país ou em um voo interno.

As restrições atingiram até as equipes de arbitragem. Omar Abdulkadir Artan, da Somália, eleito melhor árbitro da Confederação Africana de Futebol (CAF), foi impedido de entrar nos Estados Unidos, mesmo possuindo passaporte diplomático. Em comunicado a FIFA afirmou que não interfere no processo de vistos do país.

NBA na frente da Copa
O desinteresse da população local também é algo que tem chamado a atenção. A imprensa esportiva norte-americana tem praticamente ignorado a Copa do Mundo focando todos os esforços na cobertura das finais da NBA, liga de basquete norte-americana.

O New York Knicks enfrentou nesta segunda-feira (08/06) o San Antonio Spurs. A partida, que aconteceu no Madison Square Garden, em Nova York, contou com a presença do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Copa prestes a começar
À medida que os dias passam, a Copa do Mundo está próxima de começar. A estreia ocorre no próximo dia 11 de junho, quinta-feira, tendo o pontapé inicial sendo feito na Cidade do México no confronto entre México e África do Sul no estádio Azteca.

A primeira partida nos Estados Unidos será realizada só na sexta-feira (12/06), no confronto entre EUA e Paraguai na Califórnia. Segundo relatado por fontes da organização, a FIFA tem encontrado dificuldade de vender o restante dos ingressos.

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