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Crítica: Em “Dia D”, Spielberg ousa, tropeça na ação e entrega um final épico

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Crítica: Em “Dia D”, Spielberg ousa, tropeça na ação e entrega um final épico

Desde a divulgação do seu primeiro trailer, “Dia D” (“Disclosure Day”) chamou a atenção do público por conta da nova aposta de Steven Spielberg de volta ao universo dos Aliens. Com o novo longa, que estreará nos cinemas nesta quinta-feira (11/6), o diretor resgata a essência que o consagrou, mas foge da nostalgia barata. Ele nos entrega uma obra que mistura o fascínio pelo tema com uma crise existencial, social e religiosa aqui na Terra.

A premissa chega em um timing assustadoramente perfeito, surfando nos debates reais sobre transparência governamental e “fenômenos aéreos não identificados”, e até mesmo as guerras pelo mundo. A trama acompanha Margaret Fairchild (Emily Blunt), uma meteorologista de Kansas City que é atingida por uma força inexplicável ao vivo na TV.

Veja as fotosAbrir em tela cheia Cena de “Dia D”Crédito: Divulgação Cena de “Dia D”Crédito: Reprodução Universal Cena de “Dia D”Crédito: Divulgação Universal Cena de “Dia D”Crédito: Reprodução Universal Steven SpielbergCrédito: Reprodução YouTube Emily Blunt em “Dia D”Crédito: Reprodução Universal

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A partir desse incidente, e com a ajuda do especialista em segurança cibernética Daniel Kellner (Josh O’Connor), mergulhamos em um mundo que entra em parafuso ao descobrir que não estamos sozinhos no universo. A grande sacada de Spielberg aqui não é mostrar invasões apocalípticas ou alienígenas fofos, mas sim questionar: como nossas crenças mais profundas resistem à verdade absoluta?.

O filme é um híbrido bizarro e fascinante de investigação estilo “Arquivo X” com contornos quase espirituais, que vai sendo construído aos poucos e deixando o público imerso na trama.

O espetáculo e os seus excessos em “Dia D”
É fato que a construção do mistério é impecável. O diretor sabe exatamente como cozinhar a tensão, revelando o desconhecido a conta-gotas. Por outro lado, o longa não está imune a falhas e passa longe de ser perfeito, mesmo sendo um dos filmes mais interessantes do gênero nos últimos anos.

Embora a atmosfera de suspense seja brilhante, Spielberg pesa a mão e exagera bastante em algumas cenas de ação. Em determinados momentos, a tentativa de criar um espetáculo visual explosivo acaba tirando o foco do drama, e o roteiro tenta abraçar tantas tramas paralelas que algumas inevitavelmente ficam subdesenvolvidas.

Mesmo com esses deslizes pontuais de ritmo e execução, o saldo final é robusto e tem tudo para se consolidar como um verdadeiro clássico moderno na filmografia do diretor.

Emily Blunt e a força do núcleo humano
Se a direção oscila um pouco nas sequências mais frenéticas, o coração do filme bate forte e no ritmo certo graças a Emily Blunt. A atriz entrega, sem sombra de dúvidas, uma das atuações mais brilhantes de toda a sua carreira e é praticamente impossível não se envolver por sua jornada.

Em meio a conspirações globais e conceitos filosóficos grandiosos, é ela quem segura a âncora da realidade. Blunt protagoniza cenas que mexem com a emoção do público em vários sentidos, transitando com maestria entre a vulnerabilidade extrema e o desespero palpável.

Difícil será não apostar em seu nome como um dos fortes candidatos para a próxima temporada de premiações.

A magia sonora de John Williams
Para completar a imersão, temos o retorno triunfal da parceria histórica com John Williams, com quem Spielberg esteve em “E.T. – O Extraterrestre”, “Indiana Jones”, “Tubarão” e outros. Aos 94 anos, o lendário compositor prova que não perdeu o jeito e entrega uma trilha sonora majestosa e arrepiante.

Casada perfeitamente com a fotografia inconfundível de Janusz Kamiński, a música eleva o senso de maravilhamento que só os grandes épicos de Hollywood conseguem alcançar. O maior conselho que qualquer crítico sensato pode te dar antes de entrar na sala de cinema é: fuja dos trailers e dos spoilers.

“Dia D” é uma experiência que depende extremamente da jornada de descoberta. E por falar em descoberta, os minutos finais do filme representam o verdadeiro ápice da produção. Spielberg constrói um desfecho tão eletrizante, denso e de explodir a cabeça que é impossível sair da cadeira sem estar completamente empolgado para ver como essa história vai se desenrolar a seguir.

No fim das contas, o longa é um lembrete do porquê amamos ir ao cinema. Com cérebro, alma e uma dose pesada de ousadia, é o ingresso obrigatório para quem procura uma ficção científica que ousa fazer a humanidade se olhar no espelho enquanto encara as estrelas.

Nota: 8/10

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