Os advogados Florence Rosa e Hugo dos Santos Novais, responsáveis pela defesa de Monique Medeiros, divulgaram uma nota nesta quinta-feira (4/6) após o julgamento do caso Henry Borel. No comunicado, os defensores afirmam receber com respeito a decisão do Conselho de Sentença e destacam a importância constitucional do Tribunal do Júri e da soberania dos veredictos.
Segundo a defesa, o julgamento foi conduzido com base nas provas produzidas ao longo da instrução processual e dentro das normas previstas para o júri popular. Os advogados reiteraram a tese sustentada durante todo o processo, de que Monique não foi agressora: “Ao longo de todo o processo, a defesa de Monique sustentou que ela não praticou qualquer agressão contra seu filho e que seu maior erro foi não conseguir perceber, a tempo, a violência que ela e seu filho sofriam. A morte de Henry representa uma tragédia irreparável para todos os envolvidos neste caso”.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Monique Medeiros, mãe de Henry BorelReprodução: Record Monique Medeiros em julgamentoReprodução: YouTube/Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro Monique Medeiros em julgamentoCrédito: Gabriel de Paiva/Agência O Globo Monique Medeiros, Jairo Souza Santos e Henry BorelReprodução: Arquivo pessoal
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De acordo com a nota, a defesa entende que o principal erro de Monique foi não ter identificado a tempo a violência que, segundo os advogados, ela e Henry sofriam. Os representantes legais também classificaram a morte do menino como uma tragédia irreparável para todos os envolvidos.
No texto, os advogados afirmam ainda que o caso deve servir como reflexão sobre temas como violência doméstica, violência psicológica, relações abusivas, manipulação emocional e dependência afetiva. “O processo também convida a sociedade à reflexão sobre a necessidade de evolução da compreensão dos fenômenos relacionados à violência doméstica, psicológica, de gênero, às relações abusivas e à exposição desmedida da mulher como vítima, pois nem sempre a vítima consegue identificar imediatamente os sinais da violência a que está submetida, especialmente quando inserida em ciclos complexos de manipulação emocional e dependência afetiva”.
Ao final da manifestação, Florence Rosa e Hugo dos Santos Novais reafirmaram respeito à memória de Henry Borel, às famílias envolvidas, às instituições democráticas e à decisão do Tribunal do Júri, ressaltando a relevância da participação popular na administração da Justiça.
O julgamento do caso Henry Borel foi concluído na madrugada desta quinta-feira (4/6), após 11 dias de sessões no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. O ex-vereador Dr. Jairinho foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo. Já Monique Medeiros teve a acusação de homicídio doloso desclassificada para homicídio culposo, recebeu condenação de 1 ano e 4 meses por omissão diante das agressões sofridas pelo filho e foi beneficiada com o perdão judicial, ficando isenta do cumprimento da pena.

