As mulheres continuam enfrentando mais dificuldades do que os homens para conquistar espaço no mercado de trabalho no Acre. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua apontam que a taxa de desemprego entre elas chegou a 7,9% no estado, enquanto entre os homens o índice ficou em 5,7%.
Os números refletem uma realidade que vai além da busca por uma vaga de emprego. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres dedicam quase o dobro do tempo aos cuidados com a casa e com familiares quando comparadas aos homens, situação que acaba limitando oportunidades de qualificação, renda e crescimento profissional.
Para a estudante Kauane Santos, essa responsabilidade é imposta às mulheres desde muito cedo.
“É uma coisa que é cobrada desde cedo. A mulher tem que formar uma família, arranjar um trabalho e ser a base de tudo dentro de casa. Tenho colegas que são mães e enfrentam uma realidade ainda mais difícil, porque precisam conciliar os estudos com os cuidados dos filhos”, relata.
Além de apresentarem maior taxa de desemprego, muitas mulheres ainda encontram dificuldades para avançar profissionalmente e acabam concentradas em ocupações informais ou em atividades com menor remuneração.
Especialistas apontam que o cuidado com a família ainda é socialmente atribuído, em grande parte, às mulheres. Essa responsabilidade reduz o tempo disponível para estudos, capacitação e aperfeiçoamento profissional, fatores que influenciam diretamente na disputa por vagas de trabalho.
“Se uma mulher precisa pensar em várias outras questões para conseguir se qualificar, as chances de um homem chegar mais preparado para essa disputa acabam sendo maiores”, explica uma das pesquisadoras envolvidas no estudo.
Diferença salarial menor no Acre
Apesar dos desafios, alguns indicadores apontam avanços na redução da desigualdade salarial no estado.
Um levantamento divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostra que o Acre está entre os estados brasileiros com menor diferença salarial entre homens e mulheres. O índice de equivalência salarial alcançou 91,9%, o que significa que os rendimentos femininos estão mais próximos dos masculinos quando comparados a outras unidades da federação.
Qualificação e apoio
Para ampliar as oportunidades de inserção no mercado de trabalho, a Secretaria de Estado da Mulher (Semulher) oferece cursos de qualificação profissional voltados principalmente para mulheres em situação de vulnerabilidade social.
Segundo a chefe do Departamento de Autonomia Econômica e Políticas de Cuidado da pasta, Vanessa Rosella, a falta de qualificação e a ausência de uma rede de apoio ainda estão entre os principais obstáculos para a inserção feminina no mercado de trabalho.
A expectativa é que o fortalecimento de políticas públicas e o aumento do acesso à capacitação possam contribuir para reduzir as desigualdades e ampliar as oportunidades para as mulheres acreanas.
Por: Ligia Santos

