Uma conversa informal entre autoridades durante a cúpula do G7, realizada na França, chamou atenção nesta quarta-feira (17/6). Durante o diálogo flagrado pela transmissão do evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que nunca se identificou como um político de esquerda, apesar da percepção construída ao longo de sua carreira.
A declaração foi feita enquanto o chefe do Executivo brasileiro conversava com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e com o chanceler alemão Friedrich Merz, pouco antes de uma das reuniões do encontro internacional.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Lula com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António CostaCrédito: Ricardo Stuckert/PR Lula e demais presidentes de países convidados para a reunião que discutiu diversos temas atrelados ao mundoCrédito: Ricardo Stuckert/PR Lula e o presidente da Ucrânia, Volodymir ZelenskyCrédito: Ricardo Stuckert/PR Lula e demais presidentes de países convidados para a reunião que discutiu diversos temas atrelados ao mundoCrédito: Ricardo Stuckert/PR Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do BrasilCrédito: Ricardo Stuckert
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Ao comentar o cenário político global, Lula argumentou que a maior parte dos governos ao redor do mundo não está posicionada nos extremos ideológicos. Segundo ele, a predominância histórica tem sido de administrações localizadas em campos mais moderados. “Na França também os socialistas têm bem menos tempo de Governo. Ou seja, o que isso prova? Que o mundo não é de esquerda. O mundo é do caminho do meio. Essa é a verdade”, disse.
Durante a conversa, Kristalina mencionou que, quando Lula chegou à Presidência pela primeira vez, em 2003, havia a expectativa internacional de que ele representasse um Governo claramente alinhado à esquerda. O presidente respondeu rejeitando essa classificação. “Mas eu nunca fui esquerdista. Eu era um dirigente sindical que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão. Tinha uma relação muito boa com o sindicalismo italiano. Tinha uma relação boa com a UGT da Espanha”, argumentou.
Lula também relembrou um episódio ocorrido no início da década de 1980. De acordo com seu relato, ele recebeu um convite para participar de um congresso na então União Soviética, mas não conseguiu comparecer em razão de restrições impostas pela legislação brasileira da época.
O presidente ainda afirmou que, após realizar viagens por países europeus em busca de apoio internacional ao movimento sindical brasileiro, passou a ser visto por alguns setores como uma figura “anticomunista”.
A conversa ocorreu durante a participação de Lula no G7, evento que reúne algumas das principais economias do mundo e que, nesta edição, contou com a presença de países convidados para discussões sobre economia, democracia, desenvolvimento e cooperação internacional.

