O ex-diretor do INSS autorizou consignados ao banco de Edir Macedo, instituição que agora está no centro de uma investigação da Polícia Federal por suspeitas de fraude financeira.
O documento foi assinado pelo ex-diretor de Benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social, André Paulo Felix Fidelis, preso desde novembro do ano passado e investigado por suspeita de receber R$ 3,4 milhões em propinas no esquema conhecido como “Farra do INSS”.
O banco Digimais entrou no radar da Polícia Federal após ser alvo da Operação Miragem, deflagrada na última terça-feira (23).
Ao todo, a operação cumpriu nove mandados de busca e apreensão e determinou a quebra de sigilos bancários e fiscais dos investigados.
Documento foi publicado no governo Lula
O acordo que permitiu os empréstimos consignados foi publicado no Diário Oficial da União em 2024, durante o segundo ano do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Pelo lado do banco, um dos signatários foi João Alvos de Campos, diretor da instituição e também alvo da operação.
O convênio tem validade de cinco anos e autorizou o Digimais a operar crédito consignado para beneficiários do INSS.
Banco já enfrentava crise financeira
Quando recebeu autorização para operar os empréstimos, o Digimais já enfrentava problemas de liquidez.
Relatórios financeiros apontavam aumento da inadimplência desde a pandemia da COVID-19.
Segundo documentos internos, o banco precisou de aportes financeiros de Edir Macedo para evitar colapso.
Em 2025, o Banco Central do Brasil rejeitou a venda da instituição para o BlueBank, ligado a investigados em outros esquemas financeiros.
Suspeitas envolvem fraude contábil
A investigação aponta que o Digimais teria manipulado balanços financeiros, inflado ativos e fraudado registros regulatórios para esconder a real situação da instituição.
A Justiça determinou a quebra de sigilo bancário e o bloqueio de bens ligados a Edir Macedo, embora ele não tenha sido alvo de mandado de busca.
As apurações seguem em andamento.
Por Samoel Andrade

