Os líderes das sete maiores economias democráticas do mundo aumentaram a pressão sobre a Rússia durante a cúpula do G-7 realizada nesta semana, na França. O encontro contou com a presença do presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, que apresentou imagens dos recentes ataques russos a Kiev, incluindo o incêndio de uma catedral histórica após uma ofensiva realizada na véspera.
Durante a reunião, representantes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido reafirmaram o apoio à Ucrânia e defenderam medidas mais rígidas para pressionar Moscou a encerrar o conflito, que já dura mais de quatro anos.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou estar otimista com a possibilidade de uma ação conjunta entre Europa e Estados Unidos para buscar o fim da guerra.
“Tenho certo otimismo de que europeus e americanos possam pôr um fim à guerra juntos”, declarou Merz, acrescentando que viu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “receptivo e disposto a cooperar”.
Apesar disso, Trump manteve sua posição cautelosa em relação ao conflito, evitando apontar diretamente um dos lados como responsável pela guerra e tratando Ucrânia e Rússia em pé de igualdade quanto às responsabilidades.
No entanto, o presidente americano indicou que poderá retomar as sanções econômicas contra Moscou, que haviam sido parcialmente flexibilizadas nos últimos meses devido ao aumento do preço internacional do petróleo.
“Em breve poderemos fazer isso porque o petróleo já está fluindo. Estamos em condições de fazer isso em breve”, afirmou Trump durante conversa com jornalistas.
As sanções haviam sido amenizadas em março para permitir determinados carregamentos de petróleo russo, numa tentativa de conter a alta dos preços internacionais da commodity. Agora, com a normalização do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, a Casa Branca avalia restabelecer as restrições.
Além dos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá anunciaram novas sanções contra a chamada “frota fantasma” da Rússia, formada por navios utilizados para transportar petróleo e outras mercadorias driblando as restrições impostas pelos países ocidentais.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, defenderam medidas mais severas para reduzir a capacidade financeira da Rússia e aumentar a pressão sobre o governo de Vladimir Putin.
O presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, comemorou o apoio recebido durante a cúpula e afirmou que a comunidade internacional está cada vez mais unida.
“É fantástico que todo mundo entenda que a Rússia não vai ganhar e que devemos pressionar Putin para que ponha fim a esta guerra”, declarou Zelenski.
Trump também afirmou acreditar que a Rússia deveria chegar a um acordo com a Ucrânia e disse estar disposto a fazer o que for possível para ajudar no encerramento do conflito.
“A única razão pela qual me meto nisso é que não gosto de ver milhares de jovens morrerem todos os meses. Tudo isso é ridículo. Farei tudo o que puder para encerrar essa guerra”, afirmou.
Horas antes do início da cúpula, a Rússia lançou centenas de drones e dezenas de mísseis contra grandes cidades ucranianas. Os ataques deixaram mortos e provocaram incêndios, incluindo danos a um importante monumento religioso em Kiev.
Enquanto os combates continuam, a Ucrânia também avançou em outra frente estratégica. O país iniciou oficialmente as negociações para adesão à União Europeia, um processo que poderá levar anos e exigirá profundas reformas políticas e econômicas.
O governo ucraniano considera a entrada no bloco europeu uma importante garantia de estabilidade e segurança para o período pós-guerra. Entretanto, a adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), considerada por Kiev sua principal garantia militar, continua enfrentando resistência de parte dos aliados ocidentais.
A cúpula do G-7 segue até esta quarta-feira (17), com novas reuniões voltadas à segurança internacional e ao futuro das negociações de paz entre Rússia e Ucrânia.

