9 de junho de 2026

Do Iaco para o Congresso: Jovem de Sena Madureira propõe alteração na Lei de Licitações após queda de ponte

Após desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, jovem com deficiência de Sena Madureira elabora projeto de lei e busca apoio político em Brasília

Do Iaco para o Congresso: Jovem de Sena Madureira propõe alteração na Lei de Licitações após queda de ponte

Por Redação Sena Madureira (AC), 8 de junho de 2026

O desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, ocorrido no último dia 5 de junho em Sena Madureira, continua gerando debates sobre a segurança, a fiscalização e a qualidade das obras públicas no Brasil. Entre as pessoas impactadas pelo episódio está o jovem ativista social Samoel Andrade, que decidiu transformar a preocupação com o ocorrido em uma proposta legislativa de alcance nacional.

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Nesta segunda-feira (8), Samoel Andrade, morador de Sena Madureira, pessoa com deficiência física e na voz, Diretor Nacional de Políticas Públicas da Rede Observatório BPC, Coordenador Estadual da entidade no Acre e colaborador do portal YacoNews, anunciou que concluiu a elaboração de uma minuta de Projeto de Lei que propõe alterações na Lei nº 14.133/2021, conhecida como Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos.

A proposta cria o chamado Procedimento Nacional de Análise Técnica de Causa Raiz, mecanismo que pretende tornar obrigatória a realização de investigações técnicas independentes sempre que ocorrerem acidentes graves, colapsos estruturais, falhas críticas ou interrupções de serviços essenciais em obras públicas.

Segundo Samoel, a iniciativa nasceu após dias de estudo intenso sobre o tema.

“Quero deixar bem claro que não sou engenheiro, nem especialista na área. Tudo o que desenvolvi foi resultado de muita pesquisa. Passei todo o final de semana lendo artigos, assistindo vídeos, estudando legislações brasileiras e internacionais, analisando materiais técnicos e acompanhando os facts relacionados ao desabamento da ponte. Também utilizei ferramentas de inteligência artificial para compreender melhor o assunto e organizar as informações”, explicou.

O jovem conta que a ideia surgiu após conversas com um amigo do estado de São Paulo, que o incentivou a pensar em soluções que pudessem gerar mudanças concretas.

“Em vez de apenas reclamar do que aconteceu, comecei a pensar em como transformar essa situação em aprendizado para o país. Pesquisei como outros países tratam acidentes em obras públicas e percebi que existem mecanismos para investigar as causas das falhas e evitar que elas se repitam. Foi assim que nasceu a proposta”, afirmou.

O projeto prevê que, após acidentes graves em obras públicas, sejam realizadas análises técnicas independentes para identificar não apenas os responsáveis, mas também as causas fundamentais que permitiram que a falha acontecesse.

Além disso, a proposta prevê a publicação dos relatórios técnicos no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) e a criação de um repositório nacional de informações, reunindo falhas estruturais, recomendações técnicas e lições aprendidas em todo o país.

Para Samoel, o objetivo principal é criar uma cultura de aprendizado institucional.

“Muitas vezes as discussões ficam apenas na busca por culpados. É importante responsabilizar quem errou, mas também precisamos entender por que o erro aconteceu. Cada acidente deve gerar conhecimento para evitar novas tragédias. Não podemos permitir que os mesmos erros se repitam em diferentes estados brasileiros”, destacou.

Nos últimos dias, o ativista iniciou contatos com parlamentares da bancada acreana em Brasília. O projeto foi encaminhado aos deputados federais e senadores do Acre para análise.

Entre os retornos recebidos, o gabinete do deputado federal Zé Adriano demonstrou interesse em conhecer melhor a proposta. Em mensagem enviada a Samoel, o chefe de gabinete Evaldo Selau Inácio informou que o parlamentar pretende avaliar a possibilidade de apresentar um Projeto de Lei sobre o tema.

Outro retorno veio do gabinete do deputado federal Roberto Duarte, que confirmou o recebimento do material e informou que o documento será encaminhado ao parlamentar para análise.

Para Samoel, o retorno inicial dos gabinetes representa um incentivo para continuar defendendo a proposta.

“Fiquei muito feliz porque, independentemente do resultado final, já considero uma grande experiência. Estudei um tema que eu não conhecia profundamente, aprendi muito sobre obras públicas, fiscalização, responsabilidade administrativa e segurança estrutural. Espero que essa discussão avance e que possamos contribuir para que tragédias como a que vivemos em Sena Madureira sirvam para fortalecer a proteção da vida e do patrimônio público”, declarou.

Conhecido por sua atuação em defesa das pessoas com deficiência e das políticas sociais, Samoel afirma que pretende continuar dialogando com parlamentares, órgãos de controle e representantes da sociedade civil para aperfeiçoar a proposta.

“Meu objetivo não é apontar culpados ou fazer disputas políticas. Meu objetivo é contribuir com uma ideia que possa ajudar o Brasil a aprender com seus erros. Se conseguirmos evitar uma única tragédia no futuro, todo esse esforço já terá valido a pena”, concluiu.

Enquanto aguarda a análise da bancada federal acreana, Samoel segue divulgando o projeto e incentivando o debate sobre transparência, fiscalização e segurança nas obras públicas brasileiras. A expectativa é que a proposta possa ser discutida e, eventualmente, transformada em iniciativa legislativa no Congresso Nacional.