Durante boa parte dos últimos anos, a Globo apostou em conteúdos especiais para marcar o Mês do Orgulho LGBTQIA+, seja por meio de documentários, debates ou produções originais. Em 2026, porém, a estratégia parece ter mudado. Até o momento, a única atração anunciada para celebrar a data na TV aberta é a exibição do documentário “Ballroom, Salão de Baile”, programado para dia 28, depois do Destino São João, especial de festa junina exibido após o “Fantástico”, uma faixa considerada de baixa audiência.
O filme aborda a cultura ballroom, movimento artístico e social criado por comunidades negras e latinas LGBTQIA+ nos Estados Unidos, conhecido por seus bailes competitivos, performances de dança, moda e expressão de gênero.
Leia Também
Carla Bittencourt
Globo abre plano C e negocia com Camila Morgado para novela das seis
Carla Bittencourt
Opinião: Virginia gera mais polêmica do que conteúdo no “Domingão com Huck”
Carla Bittencourt
Revelação sobre Francesca inocenta Otoniel em “Quem Ama Cuida”
Carla Bittencourt
Pesquisa aponta falta de leveza, e “Quem Ama Cuida” amplia espaço para humor
Apesar da exibição do filme (que não foi produzido pela Globo; a emissora apenas comprou os direitos para exibição), alguns usuários das redes sociais questionaram a escolha do horário de exibição, sugerindo que o especial acabou sendo relegado a um espaço de pouca visibilidade na programação.
Nos bastidores, chegou-se a cogitar um projeto mais ambicioso. Durante o auge da popularidade das “Loquinhas”, personagens interpretadas por Alanis Guillen e Gabriela Medvedovski em “Três Graças”, circulou a ideia de um especial comandado pela dupla para celebrar o mês da diversidade. A proposta, entretanto, nunca saiu do papel. Com o fim da novela e o encerramento dos contratos das atrizes, o projeto perdeu força e acabou abandonado.
Outro caso que chamou atenção foi o documentário sobre a história da “G Magazine”, publicação considerada por muitos a revista voltada ao público gay mais influente da história editorial brasileira. Inicialmente pensado para integrar a programação especial do Mês do Orgulho em 2025, o projeto acabou não avançando.
Na ocasião, executivos do Globoplay afirmaram publicamente que não havia interesse na aquisição do conteúdo, levando ao arquivamento da produção antes mesmo de seu lançamento, deixando um público que ansiava e fazia burburinho pela produção a ver navios e questionando se não seria uma forma de censura de conteúdo.
A ausência de uma programação mais robusta para o período levanta debates entre espectadores e analistas do setor. Embora a Globo tenha um histórico de abordar pautas relacionadas à diversidade em novelas, séries e programas de entretenimento, críticos apontam que a emissora demonstra mais cautela quando se trata de desenvolver projetos explicitamente voltados ao público LGBTQIA+ ou centrados nessa temática. Quase sempre há um medo de falta de patrocínio, receio do produto não se pagar ou até mesmo do grande público não embarcar na proposta do programa.
A comparação com outros segmentos da programação também aparece com frequência nas redes sociais. Conteúdos ligados ao universo do agronegócio e da música sertaneja ocupam espaço recorrente em atrações jornalísticas e de entretenimento da emissora, o que leva parte do público a questionar por que iniciativas voltadas à diversidade não recebem investimento semelhante ou maior destaque durante uma data simbólica como o Mês do Orgulho.

