9 de junho de 2026

OMS afirma que Covid matou três vezes mais pessoas do que apontam registros oficiais

OMS afirma que Covid matou três vezes mais pessoas do que apontam registros oficiais
OMS afirma que Covid matou três vezes mais pessoas do que apontam registros oficiais

Um novo levantamento divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que o impacto da Covid-19 foi muito mais devastador do que indicavam os registros oficiais. De acordo com a entidade, entre 2020 e 2023 a pandemia provocou cerca de 22,1 milhões de mortes em todo o planeta, número que supera em mais de três vezes os aproximadamente 7 milhões de óbitos notificados pelos países. As informações integram o relatório “Estatísticas Mundiais de Saúde”, apresentado pela organização em maio de 2026.

A diferença entre os dados oficiais e a estimativa atual é atribuída principalmente à subnotificação de mortes relacionadas ao coronavírus e aos chamados efeitos indiretos da crise sanitária. Nesse segundo grupo estão pacientes que sofreram agravamento de outras enfermidades ou não conseguiram acesso adequado a atendimento médico devido à sobrecarga dos sistemas de saúde.

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Veja as fotosAbrir em tela cheia Covid-19Foto: Reprodução/OMS Covid-19Foto: Reprodução/OMS

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Os números reforçam a dimensão da tragédia vivida globalmente e evidenciam fatores que contribuíram para ampliar seus efeitos, entre eles a circulação de informações falsas e a resistência a orientações científicas observadas em diferentes países, incluindo o Brasil.

A pandemia paralela da desinformação
Enquanto o coronavírus avançava pelo mundo, outro fenômeno também ganhava força: a disseminação massiva de conteúdos enganosos sobre a doença. Esse cenário ficou conhecido como desinfodemia, conceito utilizado para descrever a propagação de informações falsas ou distorcidas em larga escala durante emergências sanitárias.

A expressão foi adotada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) com base no estudo “Disinfodemic – Deciphering Covid-19 Disinformation”, divulgado em abril de 2020. O relatório alertava que “a desinformação sobre a Covid-19 cria confusão em relação à ciência médica com impacto imediato em todas as pessoas do planeta e em sociedades inteiras. É mais tóxica e mais mortal do que a desinformação sobre outros assuntos”.

Segundo a pesquisa divulgada pelo “The Conversation”, a desinfodemia se manifestou em diferentes frentes, abrangendo temas como:

Origem e propagação do coronavírus;
Divulgação de números falsos ou manipulados;
Consequências econômicas da pandemia;
Ataques à imprensa e a veículos de comunicação confiáveis;
Informações incorretas sobre sintomas, diagnósticos e tratamentos;
Efeitos sociais e ambientais;
Disputas políticas relacionadas à crise sanitária;
Conteúdos criados para obtenção de lucro por meio de fraudes;
Notícias falsas envolvendo personalidades públicas.

Todos esses elementos foram observados no contexto brasileiro.

Impactos sobre a percepção pública
De acordo com análises produzidas à época, o fluxo constante de informações enganosas influenciou diretamente a forma como parte da população enxergava a pandemia. Isso afetou a compreensão da gravidade da doença e contribuiu para a rejeição de recomendações científicas e sanitárias, incluindo medidas de isolamento defendidas por organismos internacionais.

Embora a circulação de notícias falsas tenha se tornado um dos símbolos desse processo, especialistas destacam que o fenômeno da desinformação é mais amplo. Ele envolve estratégias variadas de manipulação informacional e não se resume apenas à criação de boatos ou conteúdos fraudulentos.