Foi ao ar nesta terça-feira (2) uma das sequências mais importantes de “Quem Ama Cuida”: o assassinato de Arthur Brandão (Antonio Fagundes). O que poderia ser apenas mais uma cena de morte em uma novela acabou se transformando em uma aula de direção.
Nas redes sociais, o público não falou apenas sobre o mistério envolvendo o crime. Falou sobre câmera, enquadramento, sombras e sobre a forma como a sequência foi construída. E isso tem nome e sobrenome: Amora Mautner.
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A diretora artística de “Quem Ama Cuida” conseguiu algo cada vez mais raro na televisão aberta: fazer o público perceber a direção. Enquanto os personagens circulavam pelos corredores e cômodos da mansão durante o apagão que antecedeu o assassinato, a câmera parecia dançar entre os ambientes, costurando diferentes núcleos e transformando a sequência em uma experiência quase cinematográfica.
O resultado foi imediato. Nas redes sociais, telespectadores elogiaram o jogo de sombras utilizado para esconder o assassino, a fluidez dos movimentos de câmera e a construção visual do suspense. Houve quem dissesse que “até a sombra que não fosse da Adriana (Leticia Colin) era suspeita”. Outros destacaram a forma como a diretora passeou pelo cenário sem perder a tensão da narrativa. Teve ainda quem classificasse Amora como a melhor diretora da Globo.
O mais interessante é que esse reconhecimento chega justamente em um momento em que, nos últimos anos, virou quase moda diminuir a importância de Amora Mautner. Depois de acumular sucessos históricos e participar de projetos que ajudaram a redefinir a linguagem das novelas brasileiras, a diretora passou a ser alvo frequente de críticas nas redes sociais. Como acontece com muitos profissionais que atingem o topo, parecia que parte do público havia esquecido a dimensão de sua contribuição para a dramaturgia.
Mas artista de verdade não perde talento. Amora esteve na equipe responsável por “Avenida Brasil”, uma das novelas mais importantes da história da televisão brasileira. Também comandou diversas produções de sucesso e ajudou a modernizar a linguagem visual das novelas da Globo. Em “Quem Ama Cuida”, ela mostra que continua dominando a arte de contar histórias através das imagens.
E talvez seja justamente essa a palavra que melhor define o trabalho visto na noite desta terça-feira: arte.
A sequência do assassinato de Arthur não foi apenas eficiente para movimentar a trama. Ela foi pensada visualmente e construída com inteligência. Foi desenhada para provocar tensão, dúvida e participação do público. Tanto que, ao fim da cena, ninguém parecia ter certeza de quem matou o empresário.
Estamos apenas na segunda semana de “Quem Ama Cuida,” mas uma coisa já ficou evidente: Amora Mautner segue sendo uma das diretoras mais talentosas da televisão brasileira. E a repercussão da cena desta terça-feira mostra que o público começou a perceber isso novamente.

