O ouro fecha em queda com avanço nas negociações entre EUA e Irã nesta segunda-feira (29), refletindo a redução do prêmio de risco geopolítico e a menor procura dos investidores por ativos considerados de proteção.
O movimento foi impulsionado pelas expectativas de retomada do diálogo entre Washington e Teerã, o que reduziu a tensão nos mercados internacionais e diminuiu a busca por segurança em ativos tradicionais como o ouro.
Na divisão de metais da bolsa de Nova York, a Comex, ligada à New York Mercantile Exchange, o contrato do ouro para agosto encerrou o dia com recuo de 1,40%, cotado a US$ 4.038,90 por onça-troy.
A prata também acompanhou o movimento negativo. O contrato para julho caiu 1,77%, encerrando a sessão a US$ 58,17 por onça-troy.
Analistas do MUFG apontam que a perspectiva de retomada das conversas entre os Estados Unidos e o Irã continua pressionando o mercado do ouro.
Segundo a instituição, o metal deve seguir pressionado caso os riscos geopolíticos continuem diminuindo e as projeções de inflação ligadas ao setor energético permaneçam mais controladas.
Apesar de versões divergentes sobre o cronograma das negociações, o presidente Donald Trump afirmou que uma reunião entre representantes dos dois países está prevista para esta terça-feira (30), em Doha.
A Casa Branca confirmou o envio de enviados especiais como Steve Witkoff e Jared Kushner ao Catar, reforçando a possibilidade de avanço diplomático.
Outro ponto observado pelo mercado é o comportamento do ouro diante de cenários de crise. A consultoria Capital Economics destacou que o metal tem se comportado cada vez mais como um ativo de risco, deixando de exercer totalmente seu papel tradicional de porto seguro.
Segundo a análise, o excesso de posições especulativas acumuladas nos últimos meses pode estar contribuindo para a volatilidade e ampliando as correções de preço.
A consultoria também lembra que o ouro teve desempenho considerado fraco até mesmo durante os recentes conflitos entre Estados Unidos e Irã, um comportamento que reforça a leitura de mudança estrutural no perfil dos investidores.
No radar do setor mineral, outro episódio chamou atenção nesta segunda-feira: uma explosão em frente à Agência de Regulação e Controle Mineiro do Equador.
O caso está sendo tratado pelas autoridades locais como um possível atentado relacionado ao combate à mineração ilegal de ouro, o que também adicionou ruído ao noticiário do setor.
Especialistas avaliam que o mercado seguirá atento aos próximos passos das negociações diplomáticas e à movimentação dos investidores nos próximos dias, fatores que podem continuar influenciando diretamente o comportamento do ouro e de outros metais preciosos.
Por Samoel Andrade

