A situação judicial de Deolane Bezerra terá um novo desdobramento nesta terça-feira (9/6). A 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) deve avaliar um recurso apresentado pela defesa da influenciadora digital e advogada, que está presa preventivamente desde o dia 21 de maio no âmbito de uma investigação que apura supostos envolvimentos da influenciadora com uma organização criminosa.
A empresária foi detida durante uma operação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo em conjunto com a Polícia Civil paulista. A investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro supostamente ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo os investigadores, Deolane é suspeita de envolvimento em crimes como lavagem de capitais, associação ao tráfico de drogas e participação em organização criminosa.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Deolane BezerraFoto: Reprodução/Instagram @deolane Deolane BezerraCrédito: Reprodução Globo Deolane BezerraFoto: Reprodução/Instagram @deolane Deolane BezerraFoto: Reprodução/Instagram @deolane Deolane BezerraFoto: Reprodução/Instagram @deolane Deolane BezerraFoto: Reprodução/Instagram @deolane Deolane BezerraCrédito: Reprodução Instagram @deolane Deolane Bezerra foi presa acusada de participar de um esquema de lavagem de dinheiro para uma facção criminosaCrédito: Van Campos – AgNews Deolane Bezerra, influenciadora digital e advogadaCrédito: Reprodução Deolane BezerraFoto: Van Campos/AgNews Deolane Bezerra na audiência de custódia virtual, após ser presa no âmbito da Operação VérnixReprodução: Polícia Penal de São Paulo Deolane Bezerra na audiência de custódia virtual, após ser presa no âmbito da Operação VérnixReprodução: Polícia Penal de São Paulo Deolane Bezerra na audiência de custódia virtual, após ser presa no âmbito da Operação VérnixReprodução: Polícia Penal de São Paulo Deolane BezerraFoto: Van Campos/AgNews Deolane Bezerra retornando ao DHPPCrédito: Reprodução SBT Deolane chegando ao Palácio da Polícia, em SP, para prestar depoimentoCrédito: Reprodução SBT Deolane chegando ao Palácio da Polícia, em SP, para prestar depoimentoCrédito: Reprodução CNN Brasil
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Ao recorrer ao STJ, os advogados sustentam que a manutenção da prisão preventiva não atende aos critérios exigidos pela legislação. A defesa argumenta que não há elementos concretos que indiquem risco à ordem pública, interferência na produção de provas ou possibilidade de descumprimento da aplicação da lei, destacando ainda que o material investigativo já está em posse das autoridades responsáveis pelo caso.
Entre os argumentos apresentados pelos defensores, está o pedido para que a prisão seja convertida em regime domiciliar. Eles alegam que Deolane é responsável pelos cuidados de um filho de 9 anos. Também afirmam que a decisão que determinou a custódia cautelar se baseia em fundamentos genéricos, sem demonstrar fatos atuais que indiquem risco de fuga, destruição de provas ou continuidade de práticas criminosas. Outro ponto levantado é que os fatos investigados remontam ao período entre 2018 e 2021.
A defesa ainda defende a adoção de medidas alternativas, como retenção do passaporte, restrição para deixar a cidade e proibição de contato com outros investigados.
De acordo com informações reunidas pela polícia, entre 2018 e 2022 teriam sido movimentados R$ 13,6 milhões em contas pessoais da influenciadora. Além disso, cerca de R$ 14 milhões teriam circulado por três empresas ligadas a ela.
Os investigadores apontam que os recursos teriam origem considerada “espúria” e afirmam ter identificado empresas registradas em nome da influenciadora em municípios do interior paulista próximos ao presídio de Presidente Venceslau. Segundo a apuração, os endereços seriam compartilhados com diversas outras empresas consideradas de fachada.
Os representantes de Deolane, por sua vez, negam qualquer relação com o crime organizado e afirmam que toda a movimentação financeira atribuída à influenciadora possui origem lícita, declarada e devidamente comprovada.
Pedido já havia sido negado
Antes de chegar à Quinta Turma, o habeas corpus havia sido rejeitado pela Presidência do STJ. Na ocasião, o entendimento foi de que o pedido não poderia ser analisado naquele momento porque o processo ainda aguardava apreciação definitiva pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
Inconformada com a decisão, a defesa apresentou recurso interno solicitando que o colegiado reavaliasse o caso. Agora, caberá aos cinco ministros da Quinta Turma decidir se mantêm ou não a prisão preventiva.
Polícia indicia Deolane e outras seis pessoas
Paralelamente à discussão no STJ, a Polícia Civil de Presidente Venceslau concluiu o inquérito relacionado à Operação Vérnix e formalizou o indiciamento de Deolane pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Ao todo, sete pessoas foram indiciadas após o encerramento da fase investigativa. O relatório final reúne os resultados das diligências realizadas após as prisões e demais medidas autorizadas pela Justiça.
Segundo a corporação, o grupo investigado continuava atuando mesmo durante o andamento das investigações, promovendo mudanças na estrutura de empresas que, de acordo com a polícia, seriam utilizadas para ocultar patrimônio e movimentações financeiras.
Os investigadores também relataram a identificação de novas empresas, movimentações patrimoniais recentes e mecanismos alternativos para transferência de recursos, incluindo operações envolvendo ativos virtuais.
Com base nesses elementos, a Polícia Civil encaminhou novas representações ao Judiciário, solicitando medidas complementares. Entre elas estão a ampliação de bloqueios de bens, a apreensão definitiva de veículos recolhidos durante a operação e a custódia judicial de joias e relógios encontrados nas buscas.
Histórico de investigações envolvendo a influenciadora
A atual investigação se soma a uma série de episódios em que o nome de Deolane Bezerra esteve no centro de apurações policiais e processos judiciais nos últimos anos.
Julho de 2022
Operação envolvendo empresa de apostas
A Polícia Civil de São Paulo realizou buscas na residência da influenciadora, localizada em Alphaville. A investigação apurava possíveis crimes contra a economia popular e lavagem de dinheiro relacionados a uma empresa de apostas esportivas da qual Deolane era divulgadora.
Durante a ação, veículos de luxo, incluindo um Porsche e uma Land Rover Discovery, foram apreendidos.
Fevereiro de 2024
Inquérito após foto em baile na Maré
A influenciadora passou a ser investigada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro depois de divulgar imagens registradas durante o Baile da Disney, realizado no Complexo da Maré. Nas fotos, ela aparecia usando um cordão pertencente ao traficante Thiago da Silva Folly, conhecido como TH, apontado como liderança do Terceiro Comando Puro (TCP).
Ao comentar o episódio nas redes sociais, Deolane declarou:
“Fui no Complexo da Maré ontem, tava lá no baile da Disney. Fui bem recebida, não gastei um real. Tirei foto com geral, com cordão, sem cordão, botaram o cordão em mim, tiraram, e pocas, eu sou isso”
Na época, a polícia investigou eventual associação ao tráfico de drogas.
Setembro de 2024
Prisão na Operação Integration
Em setembro de 2024, Deolane foi presa preventivamente em Recife, durante a Operação Integration, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco.
A investigação mirava um esquema de lavagem de dinheiro e exploração de jogos de azar ilegais que, segundo as autoridades, teria movimentado aproximadamente R$ 2 bilhões.
Bens de alto valor atribuídos à influenciadora foram sequestrados. Na ocasião, ela escreveu uma carta durante o período em que esteve presa e afirmou:
“Sei que as coisas vão se esclarecer”
Posteriormente, conseguiu liberdade por meio de habeas corpus. Já no início de 2026, a Justiça Federal assumiu a condução do caso, anulando atos praticados anteriormente pela esfera estadual e transferindo as investigações para a Polícia Federal.
Abril de 2026
Investigação da PF na Operação Narco Fluxo
Mais recentemente, Deolane passou a ser investigada pela Polícia Federal na Operação Narco Fluxo.
A apuração busca esclarecer a suposta participação de integrantes do meio artístico e de plataformas digitais em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional de drogas, rifas clandestinas e apostas.
Relatórios de inteligência financeira apontaram que a conta bancária da influenciadora teria sido utilizada como uma espécie de “conta de passagem” para movimentação de valores atribuídos a uma organização criminosa suspeita de enviar mais de três toneladas de cocaína para outros países.
Até o momento, a defesa segue negando qualquer participação da influenciadora em atividades criminosas e afirma que buscará demonstrar sua inocência ao longo do processo.



