Durante décadas, a Copa do Mundo foi apresentada como o palco máximo da juventude. O torneio onde explosão física, velocidade e vigor costumavam determinar quem chegava ao topo do futebol mundial. Em 2026, porém, um novo fenômeno chama atenção. Pela primeira vez na história, uma única edição do Mundial reunirá oito jogadores com 40 anos ou mais, sendo essa exatamente a mesma quantidade registrada em todas as Copas disputadas desde 1930.
O dado, levantado pelo jornal O Globo a partir dos 1.248 convocados para a competição, ajuda a contar uma história maior do que a simples curiosidade estatística. Ele revela uma transformação silenciosa no esporte de alto rendimento, onde avanços na medicina, na nutrição, na recuperação física e no controle de carga de trabalho têm permitido carreiras cada vez mais longas.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Neuer em campo pelo Bayer na ChampionsNeuer em campo pelo Bayer na Champions/Foto/Reprodução/UEFA Modric atua pela Croácia na Copa do MundoReprodução/Instagram: @lukamodric Aos 41 anos, Cristiano Ronaldo segue em atividade no futebol.Reprodução/@cristiano
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Entre os oito veteranos está o nome mais conhecido da lista: Cristiano Ronaldo. Aos 41 anos, o português disputará sua sexta Copa do Mundo e ampliará uma trajetória que já o colocou entre os maiores jogadores da história. Ao seu lado aparece outro personagem que se tornou símbolo dos Mundiais modernos: Guillermo Ochoa. O goleiro mexicano, famoso por atuações marcantes em Copas anteriores, também chegará à sexta participação no torneio.
Mas o jogador mais velho da competição não será nenhum dos dois. O posto pertence ao goleiro escocês Craig Gordon, que disputará seu primeiro Mundial aos 43 anos. A marca ganha contornos ainda mais especiais porque a Escócia não participava da Copa desde 1998. Caso seja confirmado como titular, Gordon terá pela frente um desafio que poucos veteranos experimentaram: enfrentar a Seleção Brasileira na fase de grupos, em duelo marcado para a terceira rodada do Grupo C.
A lista dos quarentões também reúne jogadores que seguem atuando em alto nível no futebol europeu. É o caso de Luka Modrić, atualmente no Milan, e de Manuel Neuer, referência do Bayern Munich. Ambos permanecem em clubes das principais ligas do continente mesmo após ultrapassarem a marca dos 40 anos.
A relação ainda conta com Edin Džeko, da Bósnia, o goleiro cabo-verdiano Josimar Dias, conhecido como Vozinha, e o uruguaio Fernando Muslera. Este último tem uma peculiaridade: iniciará o torneio ainda com 39 anos e completará 40 apenas um dia após a estreia do Uruguai.
A composição da lista também ajuda a entender outra tendência do futebol moderno. Dos oito jogadores, cinco são goleiros. A posição historicamente permite carreiras mais longas por exigir menos deslocamentos intensos ao longo das partidas. Ainda assim, a presença de atletas de linha como Cristiano Ronaldo, Modric e Dzeko mostra que a longevidade já não é uma exclusividade dos arqueiros.
Outro detalhe chama atenção. Dois dos oito quarentões disputarão uma Copa do Mundo pela primeira vez. Craig Gordon e Vozinha chegam ao principal torneio do planeta justamente no momento mais experiente de suas carreiras, algo raro em um ambiente normalmente associado à renovação constante.
Se por muitos anos os 40 representavam uma fronteira quase intransponível no futebol profissional, a Copa de 2026 mostra que essa barreira está sendo redesenhada. Mais do que um recorde numérico, a presença de oito quarentões no Mundial simboliza uma mudança de era. Assim, o futebol passa a ser um esporte em que experiência, preparação e longevidade passaram a competir em igualdade com a juventude.

