Uma intervenção realizada nas imagens sacras do Monumento do Calvário de Jesus, em Carmo do Cajuru, no Centro-Oeste de Minas Gerais, acabou provocando forte repercussão entre moradores. O trabalho, que tinha como objetivo recuperar os danos causados pela ação do tempo, foi alvo de críticas após alterar significativamente a aparência original das esculturas religiosas.
A polêmica começou depois que a população percebeu mudanças nos rostos das imagens instaladas na Praça do Cruzeiro (Praça Nossa Senhora Aparecida), no bairro Adelino Mano. As esculturas, tradicionalmente conhecidas pelos traços discretos e pela coloração clara, apareceram com novos detalhes pintados, incluindo sobrancelhas, cílios e lábios destacados, o que chamou a atenção de quem passava pelo local.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Monumento em Carmo do Cajuru após pintura teve rosto desconfiguradoFoto: Redes Sociais/Reprodução Imagem sacra após ganhar pintura em Carmo do CajuruFoto: Redes Sociais/Reprodução
Estátuas são recuperadas após pintura em Carmo do CajuruFoto: Igreja Nossa Senhora do Carmo/Divulgação Reações na web após esculturas sacras amanhecerem com sobrancelhas, cílios e lábios pintadosFoto: Redes Sociais/Reprodução Imagem sacra de Carmo do Cajuru após ganhar pinturaFoto: Redes Sociais/Reprodução
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A modificação rapidamente se tornou assunto nas ruas da cidade e também nas redes sociais. Em uma publicação da Prefeitura, diversos moradores manifestaram indignação com o resultado da intervenção.
“Isso é depredação do patrimônio cultural. Tem que ser investigado e haver punição aos envolvidos”, disse um morador.
“Pintaram o olho de Jesus todo torto também. Está um pior que o outro”, comentou outra pessoa.
“Quem foi o artista que fez essa arte abstrata? Não ficou bonito. Alguém viu e não fez nada para impedir? Como assim?”, questionou um terceiro morador.
“Minha Nossa Senhora… Quem foi a bênção que fez isso?”, escreveu outra internauta.
“E vou te contar: ficou uma pintura borrada. Que feiura. Tadinha da imagem”, comentou mais uma moradora.
“Que absurdo! Misericórdia. Isso é crime, gente. Não pode ficar assim. Quem fez uma atrocidade dessas precisa ser punido”, disse outra pessoa.
Diante da repercussão, a Prefeitura esclareceu que não teve participação na execução do serviço realizado no monumento.
A insatisfação, porém, não ficou restrita à população. O próprio Conselho Paroquial Nossa Senhora Aparecida, responsável por contratar a restauração, afirmou que também não aprovou o resultado obtido.
Procurado para comentar o caso, o conselho informou que não divulgará a identidade da pessoa ou empresa contratada, alegando “por questões éticas”. Em nota, explicou que as esculturas apresentavam desgaste natural devido ao passar dos anos, mas reconheceu que o trabalho executado não atendeu às expectativas.
“O Conselho Paroquial Nossa Senhora Aparecida informa que as obras estavam desgastadas pelo tempo, porém não gostamos do resultado. Neste momento, estamos buscando uma pessoa especializada em restauração para realizar o trabalho adequadamente. Enquanto isso, as pinturas dos rostos já foram removidas”.
A Igreja Nossa Senhora do Carmo, que também responde pela preservação do conjunto religioso, informou que a pintura aplicada aos rostos das imagens ocorreu “de forma equivocada” e que a alteração já foi retirada. Segundo a instituição, outras etapas da revitalização do monumento deverão ser realizadas nos próximos dias.

