Passados nove dias desde o desabamento catastrófico da Ponte Padre Paolino em Sena Madureira — ocorrido no último dia 5 de junho —, a paciência das comunidades rurais esgotou antes da chegada do maquinário oficial. Diante do isolamento fluvial sufocante, moradores que dependem umbilicalmente do Rio Iaco para o escoamento de produção e transporte básico iniciaram, na manhã deste domingo (14), uma força-tarefa manual e de alto risco para abrir uma rota de fuga improvisada entre os escombros.
Um registro em vídeo obtido pela reportagem expõe a gravidade do cenário local: homens enfrentando a força da correnteza com ferramentas manuais para serrar e remover galhadas e balseiros densos que se acumularam na estrutura colapsada. O objetivo imediato é garantir um canal mínimo que permita o tráfego de pequenas embarcações, como canoas e baiteiras, fundamentais para o abastecimento de gêneros de primeira necessidade, alimentos e o transporte de pacientes.
“A operação improvisada escancara o desespero de dezenas de famílias ribeirinhas, mas acende o alerta máximo de segurança. A estrutura remanescente da ponte ainda inspira sérios cuidados técnicos e o risco de novos desabamentos transforma o esforço dos moradores em uma roleta russa sobre as águas.” — Análise de risco logístico fluvial.
A cobrança da população aponta diretamente para o vácuo de respostas práticas. Até o fechamento desta matéria, nenhum órgão governamental ou a empresa encarregada pela obra da ponte apresentou um cronograma definitivo para a remoção dos destroços pesados de concreto e ferro que bloquearam o leito do rio. Enquanto o impasse burocrático se arrasta nas salas de reunião, o trabalhador rural se vê obrigado a escolher entre o prejuízo do isolamento econômico absoluto ou o perigo de um novo acidente no rio.
Por: Victor Bastos

