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Rio Branco registra quase três vezes mais chuva que o esperado para junho e Defesa Civil aponta situação inédita

O mês de junho, tradicionalmente reconhecido pelo início do período de estiagem e pela consolidação do chamado “verão amazônico” no Acre, começou com um comportamento meteorológico completamente fora da curva em 2026. Em Rio Branco, o volume acumulado de precipitações disparou nas primeiras semanas, atingindo a expressiva marca de 103,8 milímetros. O índice representa quase o triplo da média histórica prevista para todo o período de trinta dias, estimada em aproximadamente 39 milímetros, acendendo o sinal de alerta e mudando a rotina operacional das equipes de monitoramento urbano.

Os dados estatísticos foram compilados e divulgados oficialmente pela Defesa Civil Municipal, evidenciando uma quebra drástica nos padrões hidrológicos da capital acreana. O estopim para o salto no acumulado ocorreu na última segunda-feira (8), quando os pluviômetros registraram uma tempestade torrencial de 70,2 milímetros em um intervalo de apenas 24 horas — marca que isoladamente superou toda a expectativa mensal histórica. No dia subsequente, o fluxo contínuo de chuvas intensas manteve o solo encharcado e elevou o nível de atenção nas áreas de maior vulnerabilidade social da cidade.

“Mesmo com essa chuva, mesmo com esse volume tão grande, não tínhamos registrado ainda, no mês de junho, em toda a história, uma chuva no mesmo dia com esse volume. É inédito”, destacou o coordenador da Defesa Civil Municipal, tenente-coronel Cláudio Falcão.

De acordo com o balanço do órgão, a anomalia climática deste mês é o reflexo de um ano inteiramente atípico para a dinâmica ambiental da região. Apenas nos últimos meses, o Acre enfrentou três episódios consecutivos de transbordamento do Rio Acre, além de uma cheia histórica registrada em dezembro, evento extremamente raro no histórico estatístico local. Na capital, o impacto imediato das últimas chuvas resultou em pontos de alagamento urbano, transbordamento de pequenos canais e córregos, além de desmoronamentos de muros e deslizamentos superficiais de encostas em bairros populosos como a Baixada da Sobral, Vitória e Wilson Ribeiro.

Apesar do cenário de saturação hídrica, a Defesa Civil informou que o trabalho preventivo de limpeza e desobstrução de canais realizado anteriormente mitigou transtornos maiores, evitando cenários de desalojamento em massa. A avaliação técnica indica que as chuvas torrenciais devem dar uma trégua e proporcionar apenas um alívio temporário de dez dias na umidade do solo, antes que o rigor da estiagem e a seca voltem a predominar. O órgão já adiantou que os protocolos preparatórios e os encaminhamentos para as ações de contingência contra a seca severa seguem mantidos e em andamento.

Por: Victor Bastos

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