O programa Fantástico, da TV Globo, exibido no domingo (14/6), trouxe novos detalhes sobre a investigação da morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, arremessada sem cordas da Ponte do Esqueleto, nas proximidades de Limeira, no interior de São Paulo, durante a prática de rope jump. A reportagem teve acesso aos depoimentos prestados à polícia pelos três funcionários presos após o acidente.
Registros feitos por pessoas que acompanhavam a atividade mostram o instante em que a estudante é levantada pelos instrutores e lançada da estrutura sem a corda de segurança, que deveria estar amarrada no cinto acoplado nela e na estrutura da ponte.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Jovem morta em salto fez post nas redesReprodução / Instagram Jovem morta em salto fez post nas redesReprodução / Instagram Jovem morta em salto fez post nas redesReprodução / Instagram Mãe de jovem arremessada de ponte sem corda durante salto de rope jump em Limeira desabafa sobre morte da filhaFoto: Reprodução Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, jovem de 21 anos arremessada de ponte sem corda durante salto de rope jump em LimeiraFoto: Reprodução Erro fatal em salto de rope jump mata jovem de 21 anos em São PauloReprodução / Instagram
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Durante o interrogatório, um dos investigados, Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos, informou que cada salto custava R$ 180 e explicou que não existia uma definição rígida de tarefas entre os integrantes da equipe. Segundo ele, a verificação dos equipamentos era realizada coletivamente pelos profissionais envolvidos na operação.
“Às vezes a gente tipo assim não coloca, outro confere, outro confere, outro coloca. Às vezes um faz, o outro vem, vê se tá certo. Era mais ou menos isso”, disse.
Ao ser questionado pelos policiais sobre quem havia instalado o equipamento de segurança ou feito a conferência final antes do salto de Maria Eduarda, Luis Felipe afirmou não se recordar.
Outro funcionário preso, Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos, declarou que também participava da rotina de inspeção dos equipamentos utilizados nas atividades. No entanto, ao ser perguntado se havia realizado a checagem específica relacionada ao salto da jovem, respondeu que não se lembrava.
As investigações seguem sob a hipótese de homicídio com dolo eventual, entendimento aplicado quando uma pessoa assume o risco de causar a morte, ainda que não tenha a intenção direta de matar. Dos seis envolvidos na organização da atividade, três permanecem presos, os mesmos que aparecem executando o procedimento de erguer e lançar a vítima da ponte.
Defesa afirma que presos estão em estado de choque
Representando os três funcionários detidos, o advogado Rafael Gomes dos Santos afirmou que seus clientes ainda tentam compreender o que ocorreu e estariam profundamente abalados desde o acidente.
“Eles estão em estado de choque, não conseguem explicar o ocorrido, porque já estão há anos fazendo isso. Nunca teve nenhum evento semelhante”, afirmou.
Além das circunstâncias que levaram à morte da estudante, a Polícia Civil também apura o desaparecimento de uma câmera que estaria com Maria Eduarda no momento da atividade. Conforme consta no inquérito, o equipamento não foi localizado até o momento.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil de São Paulo. Três homens foram indiciados por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar a morte. Após passarem por audiência de custódia, eles tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva.
Os indiciados são Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos, Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32, e Vitor de Freitas Gonçalves, de 27. Os três aparecem nas imagens que registraram o momento da tragédia. No vídeo, eles conduzem Maria Eduarda até a borda da ponte e a lançam para o salto que terminou de forma fatal.
O enterro da jovem ocorreu neste domingo (14/6), em Jandira, na Região Metropolitana de São Paulo, onde ela vivia com a família.

