Uma pesquisa inédita com a participação direta da Universidade Federal do Acre (Ufac), divulgada nesta quinta-feira (25), acendeu o sinal de alerta máximo na saúde pública do interior ao revelar falhas profundas no conhecimento e no tratamento de leishmaniose cutânea em Sena Madureira.
O estudo identificou que o desconhecimento sobre a gravidade da doença atinge tanto os pacientes quanto os próprios profissionais que atuam na linha de frente da saúde no município, agravando o cenário de uma das maiores endemias da Amazônia Ocidental.
O levantamento, que serviu de base para a tese de doutorado do pesquisador Leandro Siqueira de Souza, pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC), ouviu 50 pacientes com suspeita clínica e 51 agentes de saúde locais (sendo 63% agentes comunitários e 37% de combate às endemias).
Os resultados publicados na revista científica Acervo Saúde expõem um obstáculo crítico: além da falta de informação, as severas barreiras geográficas e a falta de estrutura nas zonas rurais atrasam drasticamente o diagnóstico precoce e o início da recuperação dos infectados.
“Identificamos que tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes possuem informações limitadas sobre a doença”, explicou o autor do estudo. Segundo ele, mapear essas falhas é o único caminho para desenhar programas de controle que realmente funcionem nas áreas isoladas. O problema ganha contornos de urgência dado o histórico do estado: o Acre já notificou mais de 11 mil casos na última década e, recentemente, o Ministério da Saúde classificou Sena Madureira — ao lado de Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil e Brasileia — como uma área de risco intenso para a transmissão da leishmaniose.

