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"Bolinha" de chuca? Esfera gelatinosa para sexo anal acende alerta

"Bolinha" de chuca? Esfera gelatinosa para sexo anal acende alerta
krisanapong detraphiphat/Getty Images

A proposta de introduzir um corpo estranho para empurrar os resíduos para regiões mais profundas do aparelho digestivo tenta evitar os traumas químicos provocados pelo excesso de água das duchas higiênicas, no entanto, não é algo seguro e muito menos recomendado. 

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Para mapear os perigos envolvidos, o coloproctologista Danilo Munhóz analisa anatomicamente o comportamento da “bolinha de chuca”, como tem sido chamada, e alerta que nenhum dispositivo colocado na região retal é totalmente isento de riscos.

Mesmo com o uso de dispositivos gelatinosos, a lubrificação adequada continua sendo essencial. O atrito durante o sexo anal sem lubrificante pode potencializar o risco de fissuras e microlesões

O comportamento no reto e a movimentação imprevisível

O reto atua como um reservatório elástico temporário para as fezes e reage de forma muito ativa à presença de qualquer barreira física.

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do Metrópoles

A proposta é que a esfera gelatinosa entre rígida e amoleça em contato com a região, sendo deslocada para a parte superior durante o ato sexual. O coloproctologista pontua que o reto não é um tubo rígido ou imóvel, o que torna esse trajeto totalmente imprevisível.

O especialista explica que esse deslocamento depende da consistência das fezes e da força aplicada no ato, além de detalhar potenciais complicações físicas na mucosa.

“A introdução de corpos estranhos no reto pode causar abrasões, pequenas lacerações, sangramento e, em situações mais graves, retenção ou perfuração. Isso não significa que o produto necessariamente causará essas complicações, entretanto, mostra que seu comportamento precisa ser estudado”

Danilo Munhóz

Diferentemente do que muitos usuários acreditam, a esfera gelatinosa não desaparece ou se dissolve completamente dentro do organismo.

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Na verdade, é composta de colágeno e derivados de algas que se hidratam e amolecem, devendo permanecer inteira para ser eliminada na evacuação seguinte, um processo que ainda precisa de mais estudos científicos para se consolidar como aliado do sexo anal.

Antes de testar qualquer método novo, considere os riscos. Pessoas com quadros de fissura anal, hemorroidas ou sensibilidade intestinal devem evitar o uso sem orientação médica profissional

Riscos biológicos, flora intestinal e contraindicações

Outro fator de preocupação médica está na alta capacidade absortiva da mucosa retal e na total ausência de dados clínicos publicados sobre os impactos a longo prazo. Estudos com duchas tradicionais já comprovaram que intervenções repetidas alteram o pH, causam inflamação local e destroem a barreira protetora intestinal, o que impede os médicos de garantirem que o novo gel residual seja neutro para a flora.

Como os testes de biocompatibilidade da fabricante não avaliam o produto final associado ao atrito, à penetração e ao uso frequente, a esfera gelatinosa passa a ser classificada como uma proposta inteiramente experimental.

A partir disso, o proctologista desaconselha o uso em pessoas com histórico de fissura ativa, dor anal, hemorroida inflamada ou constipação importante.

O médico ressalta que pacientes com sintomas intestinais ou anorretais prévios, incluindo a síndrome do intestino irritável, não deveriam experimentar essa novidade sem conversar previamente com um profissional.

Caso o usuário sinta dor abdominal intensa, distensão, febre ou incapacidade de eliminar o material, o suporte médico de emergência deve ser procurado imediatamente.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Daniel Lima.

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