A legislação autoriza o Brasil a retaliar ou aplicar sobretaxas equivalentes contra países que imponham barreiras comerciais unilaterais aos produtos brasileiros.
Em nota, o governo federal também lamentou a decisão dos EUA e disse que o episódio ficará marcado na história das relações entre os dois países.
“O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável. O governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo governo dos EUA relativa à imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros”, diz a nota.
No texto, o Brasil também afirma que não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio. A decisão de taxar o Brasil ocorre após o fim de uma investigação feita pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que acusa o Brasil de “práticas desleais” que prejudicam empresas e exportadores norte-americanos.
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O Brasil afirma que ao longo do ano atuou junto ao escritório para mostrar evidências que refutam cada uma das alegações dos norte-americanos. “Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil”, alega.
Segundo o governo, nas audiências públicas promovidas pelo governo, 63 das 78 intervenções feitas por representantes do setor privado brasileiro e norte-americano foram contrárias ao tarifaço.
Nota à imprensa sobre a imposição de tarifas unilaterais contra o Brasil pelos Estados Unidos
O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável.
O governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo governo dos EUA…
— Lula (@LulaOficial) July 16, 2026
Lula acusa família Bolsonaro
Na declaração, o governo Lula também atribui o tarifaço à família Bolsonaro. “É triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro. São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros”, acusou em nota, emitida pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência.
EUA diz que Brasil não negociou de boa-fé
Nesta quinta-feira (16/7), o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o governo Lula não negociou de “boa-fé” com os norte-americanos sobre a aplicação das tarifas pelo país aos produtos brasileiros.
“Hoje, o Presidente Trump determinou que o USTR imponha uma tarifa de 25% sobre a maioria das importações brasileiras. Não haja confusão sobre o motivo: o Presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé”, disse.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Thays Martins.

