O delegado condenado pela terceira vez no Acre por crimes relacionados à violência contra a ex-namorada voltou a ser sentenciado pela Justiça. Luis Tonini recebeu nova condenação por descumprimento de medida protetiva e tentativa de invasão da residência da vítima, elevando para mais de 11 anos o total das penas impostas em diferentes processos.
A decisão foi proferida pela Vara Criminal de Epitaciolândia, que condenou o delegado a 1 ano, 5 meses e 5 dias de detenção, em regime inicial aberto. Além da pena, a Justiça determinou o pagamento de R$ 20 mil por danos morais, manteve as medidas protetivas em favor da vítima e determinou que a Corregedoria da Polícia Civil seja comunicada para eventual abertura de procedimento administrativo disciplinar.
Mesmo com a nova condenação, Tonini poderá recorrer da decisão em liberdade.
Segundo a sentença, não foram encontrados elementos que justificassem a absolvição do acusado.
“Não havendo causa excludente de antijuridicidade ou dirimente de culpabilidade, provadas a autoria e a materialidade, a condenação do acusado passa a ser de rigor”, destacou o magistrado na decisão.
Delegado já havia sido condenado outras duas vezes
A nova sentença se soma a outras duas condenações recebidas pelo delegado neste ano.
Em março de 2026, Luis Tonini foi condenado a mais de dois anos de prisão pelos crimes de perseguição (stalking), violência doméstica e também ao pagamento de indenização de R$ 20 mil à vítima.
Já em maio, a Justiça aplicou uma pena ainda mais severa: 8 anos, 3 meses e 12 dias de prisão, inicialmente em regime fechado, além da perda do cargo público e de nova indenização por perseguição qualificada, importunação sexual e descumprimento de medida protetiva.
Somadas, as três condenações ultrapassam 11 anos de prisão.
Histórico do caso
O caso teve início em 2023, quando Tonini, então coordenador da Delegacia de Epitaciolândia, foi preso em flagrante após descumprir uma medida protetiva concedida em favor da ex-companheira.
Segundo a investigação, ele tentou invadir a residência da vítima ao tentar pular o muro do imóvel, levando a Polícia Militar a efetuar a prisão.
Dois dias depois, o delegado obteve liberdade provisória, mas passou a responder aos processos.
Durante as investigações, o Ministério Público apontou que o delegado perseguiu a vítima de forma reiterada, monitorando sua rotina, enviando mensagens por intermédio de terceiros, aparecendo em locais frequentados por ela e mantendo vigilância constante mesmo após decisões judiciais que proibiam qualquer aproximação.
Acusações incluem perseguição, violência psicológica e importunação sexual
As denúncias também apontam episódios de violência psicológica, com ofensas e humilhações dirigidas à vítima, além da prática de atos libidinosos sem consentimento dentro de um veículo.
Conforme o processo, o delegado teria beijado a ex-companheira à força, impedido sua saída do carro e feito ameaças durante o episódio.
Em sua defesa, Tonini negou parte das acusações, mas, segundo a sentença, gravações anexadas ao processo e os próprios depoimentos do acusado confirmaram parte da conduta investigada.
Polícia Civil não comenta caso
Procurada, a Polícia Civil do Acre informou que não irá comentar o mérito das condenações por se tratar de uma questão de natureza pessoal envolvendo o servidor.
A instituição afirmou apenas que a Corregedoria colaborou com a Justiça sempre que solicitada durante a tramitação dos processos.

