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Dia D das tarifas: EUA decide sobre tarifaço nesta quarta

Um ano após tarifaço, governo não vê caminho para reverter taxas
Arte/Metrópoles

Um ano após o início das investigações comerciais contra o Brasil, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) decide nesta quarta-feira (15/7) se vai adotar 25% de taxas em uma série de produtos brasileiros importados pelos EUA.

A expectativa é que o USTR anuncie nesta quarta a alíquota para a tarifa e o prazo para início da cobrança e apresente anexo com produtos isentos da sobretaxa. O veredito produzido é resultado da investigação aberta contra o Brasil no dia 15 de julho de 2025.

Embora o comércio bilateral seja superavitário para os norte-americanos, Washington acusa o Brasil de adotar práticas desleais que oneram a indústria e os produtores dos Estados Unidos.

Desde o início das investigações, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentou intensa negociação com o USTR a fim de evitar a aplicação das taxas. Os diálogos, contudo, não avançaram para um acordo, e o governo já trabalha com a hipótese de aplicação das tarifas.

Como funciona a investigação do USTR

Cenários desenhados pelo governo

Com a chegada da data-limite para o USTR decidir sobre a investigação comercial contra o Brasil, o governo brasileiro já trabalha com algumas hipóteses que podem ser anunciadas pelo órgão norte-americano nesta quarta.

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A mais provável prevê a adoção de 25% de taxa. Mas até mesmo esse cenário possui lacunas, como o prazo para a alíquota entrar em vigor, o que pode acontecer em dias, semanas ou até mesmo meses.

O governo também vê a possibilidade de mudanças na lista de isenções divulgadas pelo USTR, seja com a inclusão de novos produtos ou a retirada de produtos já previstos — como mostrou o Metrópoles, havia um lobby entre pecuaristas norte-americanos para retirar a isenção tarifária do bife bovino brasileiro.

Outro panorama, considerado pouco provável pelo Palácio do Planalto e pelo Itamaraty, prevê o prolongamento das negociações. Nesse caso, os dois países seguiriam negociando em busca de consenso sobre a investigação. Em um outro cenário mencionado por interlocutores, está a possível reversão das taxas. Este, contudo, é considerado o mais remoto.

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Arte Metrópoles/Carla Sena2 de 3

Presidente Lula em reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump

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Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo, Eduardo Bolsonaro e Donald Trump

Reprodução/Redes sociais

Pouco caminho para acordo

Embora seja uma possibilidade, especialistas e membros do governo brasileiro consultados pela reportagem acreditam que o caminho para um acordo é pouco viável. Durante um ano de negociações, interlocutores do presidente Lula já consideram a aplicação das taxas como uma possibilidade real.

Em entrevista a um canal estadunidense na última semana, Jamieson Greer, que dirige o USTR, declarou ver impasse na negociação com o Brasil sobre o tarifaço. “Estamos tentando negociar, mas eu acho que há muita distância entre nós”, disse Greer à Fox Business.

Ao Metrópoles, o ex-diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC) Roberto Azêvedo avalia que, embora não veja possibilidade para reversão das tarifas, os Estados Unidos podem aumentar a lista de produtos isentos das taxas.

“Os pedidos [das entidades brasileiras] iam no sentido de pedir para aumentar a lista de exceções sob as argumentações de que afeta a oferta de empregos nos Estados Unidos e, nesse aspecto, pode-se ter uma esperança de que novos produtos possam ser incluídos na lista de exceções”, pontua.

Para Azêvedo, a postura parte de percepção realista sobre a investigação conduzida pelo USTR. A avaliação é compartilhada por membros do governo e da diplomacia brasileira consultados pelo Metrópoles, que também trabalham com a possibilidade de mudanças na lista de isenções.

As tarifas contra o Brasil

No dia 15 de julho de 2025, o USTR iniciou investigação comercial contra o Brasil com base na Seção 301 sob a suspeita de práticas desleais cometidas pelo país.

O documento detalha supostas “práticas desleais” e cita a rua 25 de Março, símbolo do comércio popular em São Paulo, e a criação e utilização do Pix. A investigação foi concluída em junho deste ano e propôs a aplicação de 25% de taxas a uma série de produtos brasileiros.

Dias depois após a proposta, o USTR anunciou novas taxas a cerca de 60 países. A nova proposta é embasada em uma investigação que apura a exploração de trabalho forçado e sugere taxas de 12,5% às nações alvo das investigações. Ao fim da conclusão das duas investigações, setores da indústria brasileira podem ser atingidos com até 37,5% de taxas.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Carinne Souza.

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