Um homem apontado pela Polícia Civil como suspeito de aplicar golpes usando falsas identidades profissionais foi preso nesta quarta-feira (8), em Rio Branco. João Valbecir Barbosa, de 57 anos, é investigado por supostamente enganar uma idosa de 75 anos ao se apresentar como advogado, perito criminal e jornalista para conquistar a confiança da vítima.
A prisão foi realizada em um apartamento localizado no bairro Bosque, após um pedido da autoridade policial que apontou indícios de que o suspeito continuava praticando crimes semelhantes aos que já haviam resultado em sua prisão anterior.
Segundo a investigação, João Valbecir teria se aproximado da idosa oferecendo serviços jurídicos e prometendo solucionar processos e questões junto aos tribunais. Com a confiança conquistada, ele teria conseguido uma procuração com amplos poderes sobre assuntos financeiros da vítima.
De acordo com a Polícia Civil, utilizando o documento, o suspeito teria realizado compras de móveis e outros produtos de alto valor em nome da idosa, sem autorização dela. A investigação aponta ainda que ele não teria apresentado qualquer comprovação dos serviços advocatícios que dizia realizar.
Os familiares da vítima descobriram as irregularidades e buscaram um cartório de títulos e documentos em Rio Branco para cancelar a procuração. Apesar da medida, parte dos prejuízos já havia ocorrido.
Segundo a família, a situação causou tanto medo que a idosa precisou deixar o Acre temporariamente e passou cerca de cinco meses em outro estado, sob os cuidados de parentes. A mudança ocorreu após o investigado passar a morar na mesma rua da vítima.
Para o delegado Karlesson Nespoli, responsável pelo caso, a situação apresenta características de estelionato praticado de forma recorrente. O histórico do suspeito foi considerado durante o pedido de prisão preventiva.
João Valbecir já havia sido preso em 2023 por suspeita de aplicar golpes utilizando uma falsa identidade de perito criminal. Na ocasião, segundo a polícia, ele usava uniforme, distintivo e documentos falsificados para convencer pessoas a contratar supostos serviços periciais particulares.
Ainda conforme as investigações daquela época, o suspeito cobrava valores entre R$ 1,5 mil e R$ 3,5 mil por trabalhos que não eram entregues às vítimas.
O histórico policial do investigado também inclui uma prisão em 2016, quando foi encontrado utilizando uma carteira falsa da Polícia Civil. Desde então, conforme a corporação, o suspeito teria mantido um padrão semelhante de atuação, utilizando profissões de prestígio para ganhar a confiança das vítimas.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam e acredita que outras pessoas possam ter sido prejudicadas pelo suspeito. A orientação é que possíveis vítimas procurem uma delegacia para registrar ocorrência.
Enquanto isso, familiares da idosa tentam recuperar os bens adquiridos em nome dela e contabilizar outros prejuízos, incluindo valores relacionados a aluguéis que, segundo a família, também teriam deixado de ser pagos pelo investigado.

