O levantamento aponta 10.650 mortes acima da média registradas entre os dias 22 e 28 de junho, período em que as temperaturas atingiram o pico em países como França, Espanha e Reino Unido. O termo “mortes em excesso” corresponde à diferença entre o número total de óbitos registrados em determinado período e a média histórica esperada para a mesma época do ano.
Mais de 90% das vítimas tinham 65 anos ou mais, grupo considerado mais vulnerável aos efeitos das altas temperaturas. O calor extremo pode causar insolação e agravar doenças cardiovasculares e respiratórias, aumentando o risco de morte entre idosos e pessoas com problemas de saúde.
3 imagens1 de 3Reprodução/X2 de 3Getty Images / Anadolu / Colaborador3 de 3
Chamas fortes são vistas em florestas na Península Ibérica
Eric Renom/NurPhoto via Getty Images
Segundo os especialistas da rede, é difícil atribuir o aumento da mortalidade a outro fator que não seja a onda de calor extrema. Eles destacam, ainda, que não houve, no período, eventos como surtos de Covid-19 que justificassem o pico de mortes.
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do Metrópoles
Os dados também mostram que, nas oito semanas anteriores, a mortalidade média dos mesmos 27 países ficou cerca de 500 óbitos semanais abaixo do esperado. A EuroMOMO informou que os números ainda poderão ser revisados à medida que novas informações forem incorporadas.
Mudanças climáticas
Um grupo internacional de cientistas afirmou que a onda de calor registrada no fim de junho teria sido “virtualmente impossível” sem o aquecimento global provocado pela atividade humana. Segundo os pesquisadores, as mudanças climáticas estão tornando eventos extremos de temperatura mais frequentes, intensos e duradouros.
Durante o período, diversos países enfrentaram recordes de temperatura, interrupções no fornecimento de energia, fechamento de escolas e incêndios florestais.
A EuroMOMO destacou que França e Bélgica foram os únicos países a registrar um nível classificado como de “excesso muito alto” de mortalidade na última semana de junho. Na Bélgica, o instituto de saúde pública Sciensano informou que foi a maior taxa de mortalidade já registrada durante uma onda de calor desde o início da série histórica, em 2000.
Um outro estudo conduzido pelo Imperial College London, pelo Met Office do Reino Unido e pela London School of Hygiene & Tropical Medicine estimou que cerca de 2,7 mil pessoas morreram por causas relacionadas ao calor na Inglaterra e no País de Gales durante as ondas de calor de maio e junho.
De acordo com a pesquisa, 42% dessas mortes foram atribuídas ao calor adicional provocado pelas mudanças climáticas, reforçando a influência do aquecimento global sobre a intensificação dos eventos climáticos extremos.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Manuela de Moura.

