Durante crises de ansiedade, algumas pessoas relatam ter falta de ar, um problema que, muitas vezes, o indivíduo relaciona com a condições pulmonares ou até um infarto. No entanto, segundo especialistas, o aparecimento do sinal está associado à forma que respiramos, o que, a depender do jeito que está sendo feita, eleva a intensidade do episódio de medo e angústia extrema.
De acordo com o professor de psiquiatria Antonio Egidio Nardi, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a falta de ar durante crises provém da respiração mais rápida e superficial em quadros de ansiedade aguda. A alteração na forma de respirar amplifica sintomas como tontura, aperto no peito e sensação de sufocamento.
“[Nesse estado], o organismo permanece em estado de alerta. Quanto maior o medo provocado pelos sintomas, maior pode ser a intensidade da crise”, esclarece Nardi, que também é presidente da Academia Nacional de Medicina (ANM) e estuda a relação entre respiração, ansiedade e síndrome do pânico há anos.
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A ansiedade é uma espécie de condição psíquica caracterizada por preocupação constante e excessiva de que algo negativo possa acontecer. Segundo pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é, ainda, uma sensação difusa de desconforto carregado por sentimento frequente de apreensão que pode desencadear transtornos
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De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país mais ansioso do mundo, e registrou ainda mais casos da condição durante a pandemia da Covid-19. Além de adultos, a ansiedade também pode se manifestar em crianças por diversos motivos, como divórcio dos pais, provas ou problemas na escola, por exemplo
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Apesar de ser considerada relativamente comum, uma vez que pode atingir qualquer pessoa por qualquer motivo, a ansiedade se torna um verdadeiro problema quando tudo vira motivo de preocupação exagerada e o paciente passa a apresentar crises
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A crise de ansiedade é uma situação que causa grande sensação de angústia, nervosismo e insegurança, como se algo de muito mau, e que foge completamente do controle, fosse acontecer a qualquer momento
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A crise surge, normalmente, devido a situações estressantes específicas e que geram gatilho, como precisar fazer uma apresentação, ter prazo curto para entregar um trabalho, estar em algum lugar que não gostaria ou ter sofrido uma perda, por exemplo
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Entre os sintomas de uma crise de ansiedade estão: batimentos cardíacos acelerados, sensação de falta de ar, formigamento no corpo, sensação de leveza na cabeça, dor no peito, náuseas, transpiração excessiva, tremores, entre outros
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Estes sintomas ocorrem devido ao aumento do hormônio adrenalina na corrente sanguínea, algo normal quando a pessoa enfrenta um momento importante. Contudo, se os sintomas se tornarem constantes, podem sinalizar um transtorno de ansiedade generalizada
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O que se deve fazer durante uma crise de ansiedade depende da gravidade e da frequência dos sintomas e, por isso, o ideal é sempre receber aconselhamento especializado, de um psiquiatra ou psicóloga
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Apesar disso, realizar exercícios de respiração, ingerir chá calmante, tentar conversar com alguém de confiança, descansar, desligar a mente, fazer atividades físicas que goste ou tentar manter o pensamento em algo que dê conforto são algumas dicas que podem ajudar a aliviar o problema
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Quando a crise de ansiedade acontece pela primeira vez, ou não se tem certeza do que está acontecendo, é importante procurar um hospital para garantir que não seja outro problema mais grave, como o infarto
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De qualquer forma, caso as crises sejam frequentes, um especialista deve ser procurado para identificar a causa e iniciar um tratamento
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A ansiedade pode desencadear problemas que, dependendo dos sintomas, podem ser classificados como Transtorno de ansiedade generalizada (TAG), fobia social, síndrome do pânico, entre outros. Esses problemas podem gerar impacto na vida pessoal e profissional do paciente, por isso o quanto antes for diagnosticado, menos problemas serão enfrentados
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Geralmente, antes de episódios intensos de ansiedade, o indivíduo está bem, sem maiores intercorrências. Quando a crise chega, os sintomas causados podem ser amplificados pelo ataque inesperado. “Em geral, o quadro agudo de ansiedade dura em torno de 20 a 30 minutos. Os primeiros dez são os piores. A pessoa tem falta de ar, tremor, onda de frio, de calor, tontura, palpitação, pressão no peito, e a sensação de que vai morrer, de que está perdendo o controle”, explica Nardi.
Para o especialista, entender melhor a relação entre a respiração e a ansiedade é essencial a fim de ter mais conhecimento e controle sobre os sintomas em momentos de crise. Assim, o paciente consegue ter uma maior percepção de quando a falta de ar provém do medo ou se é algo mais sério que necessita de ajuda.
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do Metrópoles Saúde e Ciência
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Jorge Agle.

