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Família de homem morto sem atendimento no HBDF vai processar o Iges

Família de homem morto sem atendimento no HBDF vai processar o Iges
LUIS NOVA / METRÓPOLES (@LuisGustavoNova)

Familiares de Rodrigo Resende do Prado, de 46 anos, que morreu esperando atendimento no Hospital de Base (HBDF), compartilharam, em declaração feita no velório do homem nessa quarta-feira (15/7), que vão recorrer à Justiça para tentar responsabilizar os envolvidos pela tragédia.

Segundo os parentes, a primeira medida será apresentar uma denúncia ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e, a fim de embasar ação judicial, reunir imagens das câmeras de segurança do hospital e ouvir testemunhas que presenciaram a situação.

“O Iges só emite nota para a imprensa, não liga para a família para saber como está, não pergunta se precisamos de alguma coisa, não dá amparo nenhum”, criticou o irmão da vítima Renato Resende. “Parece que daqui a uma semana já esqueceram, mas continuam acontecendo outros casos”.

A irmã de Rodrigo, Bianca Resende de Almeida, conta ter tentado alertar a equipe do hospital sobre a gravidade do estado de saúde do irmão, mas não obteve sucesso: “Eu pedi socorro e falei que o meu irmão estava morrendo”.

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Segundo Bianca, Rodrigo chegou a ser levado até a sala de triagem apenas depois que ela insistiu e chamou a atenção dos funcionários.

“Ela colocou o aparelho no dedo dele e falou que ele estava bem, que podia esperar porque todo mundo estava na mesma situação. Eu falei: ‘Não tem ninguém aqui pior do que o meu irmão’. Mesmo assim, mandaram ele esperar sentado”, contou.

“Se eu não tivesse feito escândalo, nem pela triagem ele tinha passado. Depois que ele caiu, o segurança ainda foi lá e falou: “Levanta, cara”. Mas ele já tinha morrido”, concluiu a parente.

Entenda o caso

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Família se despede

Na tarde dessa quarta-feira (15/7), familiares e amigos se despediram de Rodrigo no Cemitério Campo da Esperança de Taguatinga.

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Coroas de flores compuseram e

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Familiares e amigos carregavam cartazes clamando por justiça

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Indignados, familiares e amigos usavam blusas com o rosto de Rodrigo e carregavam cartazes pedindo por justiça

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Bianca, Cleide e Renato Resende, irmãos do Rodrigo

LUIS NOVA / METRÓPOLES (@LuisGustavoNova)

Segundo Bianca, Rodrigo deixa um filho de 5 anos, criado pela avó materna. Solteiro, ele havia deixado o trabalho por causa dos problemas de saúde e passou a viver de pequenos serviços com materiais recicláveis, justamente para permanecer perto da mãe.

Órgãos se manifestam

Responsável pela administração do Hospital de Base, o Iges-DF lamentou a morte de Rodrigo e informou que o homem chegou a ser levado para a sala vermelha, mas não resistiu.

O Iges destacou ainda que o homem solicitou atendimento na recepção e depois apresentou um mal-súbito na área externa do hospital.

“Tão logo soube do mal-estar do paciente, a equipe assistencial foi imediatamente acionada e iniciou as manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP). Toda a assistência prestada seguiu os protocolos técnicos estabelecidos para situação de emergência. Apesar da atuação imediata da equipe multiprofissional e da adoção de todas as medidas terapêuticas indicadas, o paciente não respondeu às manobras de reanimação e evoluiu a óbito”, destacou o Iges-DF.

Para identificar se houve falhas ou problemas, o IgesDF disse ter instaurado uma apuração interna com o objetivo de analisar todas as circunstâncias relacionadas ao atendimento.

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), determinou “apuração rígida e total” sobre a morte de Rodrigo. Durante agenda de governo no Recanto das Emas, Celina disse que solicitou todas as câmeras de segurança para identificar quanto tempo o paciente aguardou por atendimento.

Em conversa com o Metrópoles, o secretário de Saúde do DF, Juracy Cavalcante, se solidarizou com os familiares do paciente e disse que realizou uma reunião com toda equipe do Iges para discutir o passo a passo dos atendimentos.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Maitê Doreto.

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