Mesmo após encerrar uma das carreiras mais respeitadas da crítica cinematográfica brasileira, Hélio Nascimento continua indo ao cinema aos 89 anos e faz questão de defender a experiência das salas de exibição em um momento dominado pelas plataformas de streaming.
Aposentado desde março deste ano, o crítico, que marcou gerações escrevendo para veículos como Jornal do Comércio, Zero Hora, Correio do Povo e Jornal do Brasil, afirma que nunca abandonou o hábito de assistir aos filmes na tela grande.
Morador de Porto Alegre, Hélio vive cercado por livros, discos, CDs, DVDs e décadas de anotações sobre os milhares de filmes que assistiu ao longo da vida. Mesmo sem a obrigação de acompanhar todos os lançamentos, ele continua selecionando obras que despertam seu interesse e faz questão de manter viva a rotina de frequentar os cinemas.
“Eu sou dos resistentes”, resume o crítico ao explicar por que prefere as salas de exibição em vez do consumo exclusivo pelo streaming.
Entre os filmes vistos recentemente estão produções como Devoradores de Estrelas, estrelado por Ryan Gosling, O Drama, com Zendaya e Robert Pattinson, o vencedor do Festival de Veneza Pai Mãe Irmã Irmão e os novos trabalhos de Pedro Almodóvar e Steven Spielberg.
Apesar disso, Hélio admite que poucos longas realmente o entusiasmaram. Segundo ele, apenas o novo filme de Spielberg chamou sua atenção por funcionar como uma espécie de síntese da carreira do diretor americano.
Além da preferência pelas salas de cinema, o veterano também faz uma análise crítica sobre o momento vivido pela indústria cinematográfica.
Na avaliação dele, Hollywood atravessa uma fase criativa preocupante, excessivamente dependente de produções voltadas ao entretenimento comercial.
“Se a gente tirar os filmes americanos de cartaz não vai ninguém ao cinema. E o cinema americano, nos últimos anos, está entrando em decadência. São só filmes infantis e de aventura”, afirmou.
Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Hélio Nascimento também apresentou programas de rádio, publicou livros sobre cinema e participou ativamente do Festival de Cinema de Gramado, onde recebeu, em 2022, o Troféu Gramado 50 Anos em reconhecimento à sua contribuição para o cinema brasileiro.
Mesmo aposentado, ele segue demonstrando que, para alguns apaixonados pela sétima arte, nenhuma plataforma substitui completamente a experiência de assistir a um filme diante da tela grande.

