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Hérnia inguinal: entenda a condição que levou Henrique, da dupla com Juliano, à cirurgia

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Hérnia inguinal: entenda a condição que levou Henrique, da dupla com Juliano, à cirurgia

A cirurgia de emergência realizada pelo cantor Henrique, da dupla com Juliano, após ser diagnosticado com hérnia inguinal bilateral, colocou em evidência uma condição bastante comum, mas que pode evoluir para complicações graves quando não tratada. O sertanejo, de 37 anos, precisou cancelar dois shows e permanecerá em repouso até uma nova avaliação médica, prevista para o dia 8 de julho. Em entrevista ao portal LeoDias, o cirurgião geral e do aparelho digestivo Dr. Álvaro Faria, explica o que causa, se é possível prevenir, como é o processo operatório e a recuperação pós-cirúrgica.

De acordo com o especialista, a hérnia surge quando existe uma fragilidade na musculatura que permite a passagem de estruturas da cavidade abdominal.

“A hérnia, de maneira geral, nada mais é do que uma fraqueza na musculatura, pela qual ocorre a projeção de um conteúdo que não deveria estar naquele local. No caso da hérnia da parede abdominal, você tem a projeção de um conteúdo que normalmente está dentro da cavidade abdominal para fora. Pode ser desde uma porção de gordura da cavidade abdominal até, nas hérnias maiores, parte do intestino. Então, de forma simplificada, a hérnia é como um “buraco” na musculatura”, explicou o cirurgião.

Veja as fotosAbrir em tela cheia Hérnia inguinal Hérnia inguinal estrangulada

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Segundo ele, no caso da hérnia inguinal, essa fraqueza aparece em uma região que já é naturalmente mais vulnerável do corpo.

“A hérnia inguinal é uma fraqueza, um “buraco”, entre aspas, que ocorre na região do canal inguinal, onde já existe uma área de fraqueza natural do abdômen. Isso acontece porque é por onde, no homem, passam as estruturas do cordão espermático em direção à bolsa escrotal e, na mulher, o ligamento redondo do útero. Portanto, tanto nos homens quanto nas mulheres, essa já é uma região naturalmente mais frágil, e é ali que a hérnia costuma surgir”, continuou.

Sintomas variam conforme o tamanho da hérnia
Embora algumas pessoas não apresentem qualquer manifestação, outras podem sentir dor, desconforto ou perceber um volume na região da virilha.

“Os sintomas variam de acordo com o tamanho da hérnia. As hérnias pequenas podem causar mais desconforto e dor, principalmente ao fazer atividade física ou algum esforço. Já as hérnias maiores podem provocar o aparecimento de um calombo ou caroço. No caso da hérnia inguinal, esse caroço costuma aparecer na região da virilha”, esclareceu.

“Em alguns casos, a hérnia pode ser assintomática, ou seja, não provocar nenhum sintoma. Quando há manifestações, normalmente elas incluem desconforto, especialmente durante esforços físicos, ou a presença de um caroço na região afetada”, completou.

Esforço físico não é o único responsável
O médico também desmistifica a ideia de que levantar peso, por si só, provoca hérnia.

“Não é tanto uma questão de predisposição genética, mas sim da existência de uma fraqueza na parede abdominal. É claro que fazer grandes esforços físicos pode piorar uma hérnia já existente, mas existe um mito de que qualquer pessoa que pega peso desenvolve hérnia. Isso não é verdade. Se fosse assim, seria contraindicado fazer musculação, e todo fisiculturista ou praticante de academia teria hérnia, o que não acontece”, contou.

Quando a hérnia se torna uma urgência?
O maior risco da hérnia inguinal não é ela “estourar”, como muitas pessoas acreditam, mas sim ocorrer o encarceramento ou o estrangulamento do conteúdo que atravessa a parede abdominal.

“O grande risco da hérnia não é que ela “estoure”, como muitas pessoas costumam dizer. Costumo brincar que a hérnia não é uma granada nem um rojão; ela não tem pólvora e não explode. O problema é o risco de encarceramento e estrangulamento”, disse o especialista.

“Imagine novamente que exista um defeito na musculatura por onde um conteúdo, como gordura ou uma alça intestinal, passa para fora da cavidade abdominal. Esse conteúdo pode ficar preso nesse defeito. Quando isso acontece, chamamos de encarceramento. O tecido fica preso e isso já pode provocar dor”, continuou.

“Em alguns casos, esse encarceramento reduz a circulação sanguínea da região. É como apertar o dedo com muita força: ele começa a ficar roxo por falta de circulação. Se essa circulação não for restabelecida rapidamente, o tecido pode sofrer um dano irreversível. Essa situação recebe o nome de estrangulamento. Quando a hérnia encarcera ou, de forma mais grave, estrangula, estamos diante de uma urgência cirúrgica, e o paciente precisa ser operado imediatamente”, completou.

Por isso, o especialista destaca que o tratamento não deve ser adiado.

“Por isso, existe um princípio bastante conhecido na cirurgia: hérnia diagnosticada é igual à hérnia operada. Sempre que possível, é preferível realizar a cirurgia de forma programada, em condições controladas, antes que ocorra uma complicação.”

Como é feita a cirurgia?
Henrique foi submetido a uma herniorrafia inguinal bilateral, procedimento indicado quando a hérnia acomete os dois lados da virilha.

“A hérnia inguinal pode ocorrer de forma unilateral, quando acomete apenas um lado da virilha, ou bilateral, quando ocorre dos dois lados. Atualmente, a cirurgia costuma ser realizada por videolaparoscopia ou, quando disponível, por cirurgia robótica. A técnica utilizada é basicamente a mesma: corrigir o defeito da parede abdominal utilizando uma tela. Essa tela é confeccionada com um material sintético, geralmente conhecido como Marlex, e serve para reforçar a região de fraqueza, reduzindo significativamente o risco de recorrência”, contou.

O especialista explica que nem toda cirurgia de hérnia exige a colocação de tela, mas faz uma ressalva importante para os casos inguinais.

“Não. Hérnias pequenas da parede abdominal, como as hérnias umbilicais e as hérnias supraumbilicais (epigástricas), dependendo do tamanho, podem ser tratadas apenas com o fechamento primário do defeito, sem necessidade de tela. Já nas hérnias inguinais, a utilização da tela é considerada obrigatória”

Recuperação exige cuidados
Embora seja considerada uma cirurgia segura, o sucesso do procedimento também depende dos cuidados adotados no pós-operatório.

“Assim como qualquer procedimento cirúrgico, a cirurgia de hérnia também apresenta riscos, embora seja considerada bastante segura. Entre eles estão a formação de hematomas, que são acúmulos de sangue, além da dor no pós-operatório. É esperado que o paciente apresente algum grau de desconforto, principalmente em razão da colocação da tela.”

“A taxa de sucesso depende tanto da técnica empregada quanto da experiência do cirurgião e dos cuidados adotados pelo próprio paciente durante a recuperação. No pós-operatório, é fundamental respeitar o período de recuperação. O paciente deve evitar pegar peso e realizar grandes esforços físicos por um período que pode variar entre um e dois meses, dependendo de cada caso.”

“Isso é importante porque os pontos ainda estarão em processo de cicatrização e a tela ainda não estará completamente incorporada aos tecidos. Se houver esforço excessivo nesse período, existe o risco de a hérnia voltar.”

Sobre a recuperação, ele ressalta que o paciente pode retomar atividades simples, desde que respeite as orientações médicas.

“A recuperação também depende da técnica utilizada. Tanto a cirurgia por videolaparoscopia quanto a cirurgia robótica costumam proporcionar menos dor, recuperação mais rápida e retorno precoce às atividades do dia a dia. Para reduzir o risco de recorrência da hérnia, é essencial seguir corretamente as orientações médicas durante o pós-operatório. Isso inclui evitar pegar peso e fazer grandes esforços físicos.”

“Não significa permanecer totalmente parado. Diferentemente de algumas cirurgias ortopédicas, em que o paciente não pode apoiar o pé no chão durante semanas, após a cirurgia de hérnia é possível caminhar, subir e descer escadas normalmente. O principal cuidado é evitar atividades que aumentem muito a pressão dentro do abdômen.”

Vale a pena adiar a cirurgia?
Na avaliação do especialista, a recomendação é que a correção seja feita de forma programada, evitando o risco de complicações.

“Toda hérnia, seja pequena ou grande, apresenta algum risco de encarceramento e, consequentemente, de estrangulamento. Por isso, sempre recomendamos uma avaliação criteriosa com um cirurgião habilitado para o tratamento de hérnias. Dessa forma, é possível indicar a cirurgia de maneira programada e eletiva, reduzindo significativamente o risco de complicações e evitando uma cirurgia de urgência”, finalizou.

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