Uma simples conferência no extrato bancário da avó, Maria Aparecida Nicácio da Silva (foto em destaque), de 80 anos, gerou uma dor de cabeça praticamente insolúvel para o atendente de informática Thiago Nicácio. Ao analisar o contracheque da aposentada, que vive em Guarulhos (SP), ele constatou que descontos indevidos vêm sendo realizados no pagamento do benefício da idosa há pelo menos quatro anos. O caso foi registrado na Polícia Civil do Estado de São Paulo.
Em entrevista à coluna, o homem contou que a aposentadoria da avó é recebida por meio do Banco Mercantil. No fim de junho deste ano, ao analisar o contracheque, ele constatou que havia sido realizado um desconto de R$ 60 no último pagamento, identificado como “Meu+”.
Ao verificar os extratos dos meses anteriores, percebeu que o desconto vinha sendo realizado havia anos. Em contato com a instituição bancária, por meio de um aplicativo de mensagens, o banco informou que a idosa teria supostamente aderido ao serviço de saúde em junho de 2022, versão que a família nega veementemente.
Segundo a descrição disponível nas páginas do Banco Mercantil e do Meu+, o serviço integra um ecossistema de assistências voltado principalmente ao público com mais de 50 anos. Os pacotes reúnem benefícios nas áreas de saúde, odontologia, tecnologia, educação e bem-estar, podendo ser contratados mesmo por pessoas que não possuem plano de saúde tradicional.
No boletim de ocorrência, a família relatou que, somadas, as parcelas descontadas mensalmente chegam a quase R$ 3 mil.
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da Coluna Mirelle Pinheiro
“A funcionária da instituição disse que o serviço foi contratado via caixa eletrônico, mas, como eu disse a ela, minha avó não sabe usar nem o micro-ondas direito, quem dirá contratar algum serviço. Ela não tem familiaridade com nada do meio digital”, explicou.
A família afirma que tentou solucionar o caso junto ao banco, mas, segundo Thiago, vem sendo “jogada” de um lado para o outro.
“Absolutamente ninguém do banco sabe dizer como foi feita a captação de clientes desse serviço. Falam para eu procurar a ouvidoria, na ouvidoria, dizem que tenho de procurar o SAC.”
Dinheiro para sobrevivência
Thiago afirma que a avó trabalhou por 34 anos como costureira até conseguir se aposentar. Hoje, aos 80 anos, ela vive exclusivamente da aposentadoria, renda que, segundo a família, é essencial para o pagamento do aluguel e para ajudar nos cuidados com a filha, que enfrenta uma doença terminal.
“Minha avó é uma pessoa humilde e batalhadora. Ela não merece ser roubada por um banco após ter se esforçado tanto pra ganhar algo no fim da vida”, desabafou Thiago.
O neto acredita que os descontos só permaneceram por tanto tempo porque a idosa não tem familiaridade com tecnologia. “Demorou quatro anos para descobrirmos. Isso mostra que ela não faz a menor ideia de como mexer com qualquer coisa digital. Minha avó é completamente lúcida, afirmo a você que ela jamais contrataria um serviço que nem a atendente do banco soube explicar como funciona”, afirmou.
Histórico de reclamações
Na plataforma Reclame Aqui, é possível verificar diversas reclamações de teor semelhante ao de Maria Aparecida.
Em uma delas, um consumidor de São Paulo relatou: “Recebo o benefício do INSS pelo Banco Mercantil. Para minha surpresa, ao consultar meu saldo hoje, percebi que foi debitada, indevidamente, uma parcela referente ao Meu+. Não assinei nada nem autorizei qualquer desconto em minha conta. Solicito o estorno imediato do valor debitado.”
Em outro caso, uma mulher de Belo Horizonte (MG) se mostrou indignada com a situação. “Ao olhar meu extrato, me deparei com um desconto de R$ 49,99 referente ao Meu+ Família. Solicitei o cancelamento e o estorno. Primeiro, a atendente insistiu em não fazer o cancelamento e, depois, disse que o estorno não era possível porque eu teria aceitado esse desconto pelo celular. O idoso abre o celular e o próprio banco, por meio de mensagens tendenciosas, induz à contratação. Absurdo”, escreveu.
Procurado pela coluna, o Banco Mercantil afirmou que verificaria o caso de Maria Aparecida Nicácio. No entanto, não houve retorno até a mais recente atualização desta matéria.
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Relatos parecidos com o de Maria podem ser verificados no Reclame Aqui
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O neto acredita que os descontos só permaneceram por tanto tempo porque a idosa não tem familiaridade com tecnologia
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Os consumidores afirmam que não encontram suporte para cancelar o serviço
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A família registrou um boletim de oorrência
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Por meio de nota, o Banco Mercantil informou que “está verificando o caso, ressaltando que adota políticas e normas em total conformidade com as legislações vigentes do Banco Central do Brasil e do Código de Defesa do Consumidor. Para o Mercantil, mitigar quaisquer tipos de reclamações e manter uma relação de transparência com seus clientes são prioridades.”
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Letícia Guedes.

