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Janela para resgates na Venezuela está se fechando, alertam especialistas da ONU

Foto: Reuters

A janela para resgates na Venezuela está cada vez mais estreita, segundo especialistas internacionais que acompanham as operações após os terremotos que devastaram o país. Pouco mais de uma semana depois da tragédia, equipes de emergência seguem trabalhando em busca de sobreviventes, mas as chances de sucesso diminuem a cada dia.

De acordo com Sebastián Mocarquer, chefe de buscas e resgates da Organização das Nações Unidas (ONU), a maior parte dos sobreviventes costuma ser encontrada nos primeiros dias após um desastre dessa magnitude.

“A maioria dos resgates ocorre nos primeiros três dias. Entre o terceiro e o sétimo dia ainda existe uma oportunidade, mas a probabilidade de sucesso cai significativamente. Depois disso, os resgates passam a ser considerados milagrosos”, explicou.

Equipes ainda tentam salvar sobrevivente preso sob prédio

Apesar do cenário desfavorável, os socorristas mantêm os esforços para resgatar Hernán Alberto Gil Flores, de 44 anos, localizado sob os escombros de um edifício que desabou em La Guaira.

Segundo integrantes da equipe chilena de resgate, o homem permanece consciente e está recebendo água, alimentos e medicamentos por meio de uma sonda instalada entre os destroços.

A operação já ultrapassa dezenas de horas e exige extremo cuidado devido ao risco de novos desabamentos.

“Ele está estável e muito esperançoso. Também estamos confiantes em um desfecho positivo”, afirmou Exequiel Gallardo, oficial do Grupo USAR do Corpo de Bombeiros do Chile.

Famílias cobram mais apoio

Enquanto algumas operações ainda buscam sobreviventes, em diversas áreas afetadas os trabalhos passaram a priorizar a recuperação de corpos.

Moradores de Catia La Mar afirmam que precisaram recorrer a empresas privadas para conseguir máquinas capazes de remover os escombros e criticam a demora na resposta das autoridades.

“Vou resumir para vocês: a ajuda chegou muito tarde”, disse um dos moradores à imprensa internacional.

Outras famílias relatam que continuam aguardando equipamentos suficientes para localizar parentes desaparecidos.

Sobreviventes seguem em abrigos

Milhares de pessoas permanecem em abrigos improvisados após perderem suas casas.

Além da reconstrução das cidades, muitas vítimas dependem da chegada de alimentos, roupas, medicamentos e itens básicos distribuídos por organizações humanitárias e voluntários.

A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que a prioridade do governo é proteger os sobreviventes e garantir abrigo às famílias desalojadas.

Ajuda internacional cresce

A resposta internacional continua sendo ampliada com o envio de especialistas, hospitais de campanha e equipes humanitárias.

Os Estados Unidos informaram que enviaram centenas de profissionais de busca e resgate, além de apoio logístico e recursos destinados às operações emergenciais.

Também atuam no país equipes da Cruz Vermelha, organizações internacionais, bombeiros estrangeiros e a ONG World Central Kitchen, responsável pela distribuição de refeições às vítimas.

Número de mortos ainda gera dúvidas

Embora as autoridades venezuelanas tenham divulgado um balanço oficial de mortos, organizações de direitos humanos afirmam que ainda faltam informações sobre o número real de desaparecidos.

A ONG Provea cobrou maior transparência na divulgação dos dados, argumentando que a ausência de informações dificulta o acompanhamento da tragédia e aumenta a angústia das famílias que ainda aguardam notícias de parentes.

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