Belo Horizonte — A Justiça de Minas Gerais aceitou uma denúncia contra o filho acusado de matar e decapitar a própria mãe, em Belo Horizonte. Com isso, ele passa oficialmente à condição de réu pelo assassinato de Jussara Maria Rodrigues, de 54 anos. A decisão foi assinada pelo juiz Roberto Oliveira Araujo Silva, nessa terça-feira (14).
Segundo o documento, o magistrado também manteve a prisão preventiva do jovem, de 27 anos, decretada após ele ter sido preso em flagrante, em 22 de junho.
Na decisão, o juiz também descartou a substituição da detenção por medidas cautelares, como tornozeleira eletrônica ou prisão domiciliar, por entender que, devido à gravidade do caso, o acusado deve continuar preso.
“A gravidade concreta da conduta é evidenciada pelo modus operandi do delito, uma vez que o acusado é denunciado por desferir múltiplos golpes de faca e decapitar a própria genitora, demonstrando acentuada brutalidade. […] Desse modo, a segregação cautelar mostra-se necessária para a garantia da ordem pública, não sendo cabível a aplicação de medidas cautelares alternativas”, diz trecho da sentença.
Entenda o caso
- Jussara Maria Rodrigues, de 54 anos, foi encontrada morta dentro do apartamento onde morava com o filho;
- O suspeito confessou o crime aos policiais militares e entregou a faca utilizada;
- Segundo as denúncias, ele matou e decapitou a mãe após ela decidir que deixaria de sustentá-lo financeiramente e passaria a exigir que ele trabalhasse;
- O MP afirma que a relação entre os dois era marcada por controle, violência psicológica, ameaças e dependência financeira;
- A denúncia pede a condenação por feminicídio qualificado, a manutenção da prisão preventiva e a reavaliação do laudo psiquiátrico.
Sanidade mental
Agora, é discutido se o homem era ou não capaz de entender seus atos no momento do crime. Um primeiro laudo apontou que ele apresenta um quadro psicótico e recomendou tratamento em internação. O Minstério Público mineiro, porém, não concordou.
Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles
“O laudo de sanidade mental atestou que o acusado apresenta quadro psicótico e indicou a existência de periculosidade decorrente de impulsividade, recomendando o tratamento em regime de internação. O Ministério Público manifestou discordância em relação à conclusão do laudo e requereu que seja renovada vista para oferecimento de quesitos complementares”, informou o juiz do caso.
O MP afirma que não concorda com o resultado do laudo sobre as condições mentais do acusado e, por isso, solicitou à Justiça que o exame seja reavaliado.
O crime
O crime ocorreu na madrugada de 21 de junho, no apartamento onde mãe e filho moravam, no bairro Ermelinda, na Região Noroeste da capital. Na ocasião, o filho estrangulou a mãe enquanto ela dormia e, em seguida, desferiu golpes de faca no pescoço e no tórax dela. Após a morte, ele decapitou o corpo.
De acordo com a investigação, o filho havia retornado de Portugal cerca de um ano antes do crime e passou a morar com a mãe. Conforme apurado pelo Ministério Público, ele se recusava a trabalhar, dizia ser o proprietário do imóvel e exigia que Jussara arcasse com todas as despesas da casa.
Ainda segundo a Promotoria, havia histórico de ameaças de morte, agressões e episódios em que ele chegou a impedir a entrada da mãe no apartamento. Após o assassinato, o homem tomou banho e permaneceu no imóvel. A Polícia Militar foi acionada por vizinhos, que estranharam a ausência de contato com a vítima. Os militares precisaram arrombar a porta do apartamento para entrar no local.
Em depoimento às autoridades policiais, o suspeito alegou que ouviu uma “voz” ordenando que ele matasse a própria mãe e que, após cometer o crime, resolveu tomar banho e dormir.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Larissa Ricci.

