As lhamas apreendidas no Acre podem ser abatidas após um relatório técnico do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apontar riscos sanitários relacionados à permanência dos animais no estado. O posicionamento foi reforçado pelo Ministério Público Federal (MPF), enquanto a decisão final segue sob análise da Justiça.
Os animais foram apreendidos no dia 20 de maio em um posto de fiscalização na BR-364, em Rio Branco. Desde então, as 43 lhamas e alpacas passaram a ficar sob os cuidados da ONG Patinha Carente, em uma propriedade localizada na zona rural de Porto Acre.
Mais de um mês após a apreensão, a situação preocupa. Dos 43 animais inicialmente recolhidos, 13 já morreram. Segundo a ONG, dez dessas mortes ocorreram já no abrigo onde o rebanho permanece alojado.
A presidente da Patinha Carente, Vanessa Facundes, informou que os animais continuam sendo acompanhados por órgãos responsáveis pela fiscalização sanitária, entre eles o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) e o próprio Ministério da Agricultura.
De acordo com ela, as altas temperaturas da região podem ter contribuído para o agravamento da situação dos animais, espécies normalmente associadas a climas mais amenos.
“Acreditamos que as mortes ocorreram devido ao clima. Elas sofrem aqui nesse calor, mas estão assistidas pelo Idaf e pelo Mapa. Quem faz o manejo diário, os cuidados e a medicação somos nós, voluntários da ONG”, afirmou.
Vanessa relatou ainda que, após orientação judicial, entrou em contato com o empresário apontado como proprietário dos animais para auxiliar nos cuidados e no custeio do tratamento. Segundo ela, um veterinário enviado pelo empresário também passou a acompanhar o rebanho.
Mesmo com a assistência, o futuro dos animais segue indefinido. Conforme a presidente da ONG, tanto o Idaf quanto o Ministério da Agricultura defendem o abate do restante do grupo. A organização, porém, é contrária à medida.
Entre as alternativas defendidas pela entidade estão a devolução dos animais ao Peru, a destinação para pessoas ou instituições com estrutura adequada para mantê-los ou até mesmo o retorno ao proprietário, desde que haja autorização judicial.
Do outro lado, o empresário Wellington Vieira de Araújo afirmou que continua custeando medicamentos, assistência veterinária e demais despesas necessárias para os cuidados com os animais. Ele também disse aguardar uma decisão definitiva da Justiça sobre a posse e o destino do rebanho.
A apreensão ocorreu após o proprietário não conseguir comprovar, no momento da fiscalização, a regularidade da tutela dos animais. Desde então, o caso passou a envolver diferentes órgãos federais e estaduais, além de uma disputa judicial que ainda não tem prazo para conclusão.
Enquanto a definição não ocorre, cerca de 30 lhamas e alpacas seguem mantidas no abrigo em Porto Acre, sob monitoramento constante, aguardando a decisão que determinará seu futuro.
Com informações do G1 Acre.

