O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros nesta sexta-feira (17), durante evento realizado no Rio de Janeiro. Ao abordar o tema pela primeira vez após a confirmação da sobretaxa de 25% anunciada pelo governo norte-americano, o petista afirmou que o Brasil responderá com serenidade, mas deixou claro que o país exige respeito nas relações internacionais.
Durante o discurso, Lula afirmou que prefere aguardar um posicionamento oficial do presidente norte-americano Donald Trump antes de ampliar os comentários sobre a medida.
“Eu vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Enquanto ele não falar, eu não falarei porque vamos mostrar que contra o Brasil ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro que nós ou não vai enganar a sociedade brasileira”, declarou.
Ao encerrar sua participação no evento, o presidente reforçou o discurso de defesa da soberania nacional.
“Esse país precisa estar de cabeça erguida porque não aceitamos que nenhum outro país do mundo faça desaforo para o Brasil. Nós queremos respeito, da mesma forma que vamos respeitar todo mundo.”
Tarifa de 25% começa a valer nos próximos dias
A manifestação ocorre dois dias após o governo dos Estados Unidos confirmar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, após investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
Segundo o governo brasileiro, as negociações realizadas com representantes norte-americanos não conseguiram evitar a adoção das novas tarifas, que entram em vigor no próximo dia 22 de julho.
Governo brasileiro prepara resposta
O Palácio do Planalto classificou a decisão como desproporcional e sem justificativa comercial, avaliando que a medida possui forte motivação política.
Em nota oficial, o governo informou que iniciará os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, instrumento que permite ao Brasil adotar medidas equivalentes diante de barreiras comerciais impostas unilateralmente por outros países.
Além disso, o Executivo pretende levar a discussão ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Exportações brasileiras devem ser afetadas
De acordo com estimativas do governo federal, aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos serão atingidas pelas novas tarifas, o equivalente a cerca de US$ 7,4 bilhões.
Entre os produtos que poderão sofrer impacto estão:
- Etanol;
- Máquinas agrícolas;
- Equipamentos industriais;
- Calçados;
- Vestuário;
- Papel;
- Açúcar;
- Produtos químicos.
Apesar da sobretaxa, cerca de dois mil produtos brasileiros permaneceram fora da lista de tributação divulgada pelos Estados Unidos.
Plano Brasil Soberano deve apoiar setores afetados
Como forma de reduzir os impactos econômicos, o governo informou que pretende ampliar o Plano Brasil Soberano, programa voltado ao apoio de empresas e setores produtivos prejudicados pelas novas tarifas.
Também segue em análise a aplicação da Lei da Reciprocidade, medida que poderá estabelecer respostas comerciais equivalentes contra os Estados Unidos, caso seja considerada necessária pelo governo brasileiro.
Especialistas avaliam que as próximas semanas serão decisivas para definir se haverá retomada das negociações diplomáticas ou o início de uma disputa comercial entre os dois países.
Por Samoel Andrade

