Antes da morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, ao ser arremessada sem corda de uma ponte durante um salto de rope jump em Limeira, no interior de São Paulo, a mesma equipe responsável pela atividade já havia se envolvido em outro grave acidente no mesmo local. Três meses antes da tragédia, um menino de nove anos escapou com vida após uma falha no equipamento de segurança utilizado pelos instrutores.
O caso ocorreu na chamada Ponte do Esqueleto, onde um grupo realizava saltos de forma clandestina. Em março, um problema no mecanismo de debreagem, responsável por frear a corda durante o salto, fez com que a criança sofresse um acidente que quase terminou de forma fatal. Mesmo após o episódio, as atividades continuaram normalmente, o que agora faz parte das investigações concluídas nesta semana pela Polícia Civil, que mantiveram quatro investigados presos.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Criança de 9 anos sofreu acidente com mesma equipe 3 meses antes da morte de jovem arremessada de ponte sem corda durante salto de rope jump em LimeiraFoto: Reprodução Instrutores presos acusados de matar Maria Eduarda Rodrigues de Freitas ao jogá-la de ponte sem cordaReprodução: Polícia Civil Maria Eduarda morreu ao ser arremessada sem corda em salto de rope jumpReprodução: Instagram Jovem morta em salto de rope jump fez post nas redes sociaisReprodução: Instagram Jovem morta em salto de rope jump fez post nas redes sociaisReprodução: Instagram Maria Eduarda morreu ao ser arremessada sem corda em salto de rope jumpReprodução: Instagram Maria Eduarda morreu ao ser arremessada sem corda em salto de rope jumpReprodução: Instagram
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O acidente envolvendo o garoto aconteceu logo depois de ele e uma menina de sete anos gravarem um vídeo utilizando os equipamentos do grupo “Entre Cordas”. Luis Gustavo, integrante da equipe que também participou do salto, descreveu como percebeu que algo havia dado errado.
“O garoto foi correndo, eu já fui correndo atrás. Ele pulou e eu pulei dando um mortal logo atrás. Eu não ouvi o garotinho, tipo, gritar o ‘uhu’, que ele sempre gritava, a gente está feliz e tal. Eu comecei a ouvir algumas pessoas gritando o nome dele e, aí, quando eu olhei para o lado, ele estava no chão”, diz Gustavo.
O pai da criança trabalhava na equipe que organizava os saltos e acompanhava o momento do acidente. Posteriormente, ele foi ouvido pela polícia na condição de testemunha.
Mesmo após esse episódio, os organizadores seguiram promovendo os saltos na mesma ponte. Em 13 de junho, uma nova ocorrência terminou em morte. Maria Eduarda de Freitas, de 21 anos, foi lançada da estrutura sem estar conectada à corda de segurança.
A jovem ainda recebeu atendimento médico, porém não resistiu aos ferimentos provocados pela queda. Imagens registradas no celular da própria vítima mostraram que ela foi impulsionada da ponte sem que o equipamento de proteção estivesse preso ao seu corpo.
Inquérito aponta homicídio e tentativa de esconder provas
Após concluir as investigações, a Polícia Civil responsabilizou quatro pessoas por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar a morte. Foram indiciados Evelyne dos Santos, apontada como líder da equipe, além de Vitor de Freitas, Maicon Cintra e Luis Felipe Egoroff, identificados nas imagens empurrando Maria Eduarda durante o salto.
Outros dois investigados, que chegaram a ser presos no início da apuração, tiveram a prisão revogada e responderão em liberdade.
As investigações também identificaram indícios de tentativa de ocultação de provas tanto no acidente envolvendo o menino quanto na morte da jovem. Segundo pelo menos três testemunhas, uma pessoa retirou a câmera utilizada por Maria Eduarda logo após a queda.
Luis Gustavo confirmou à polícia que recebeu uma ordem direta da organizadora para recuperar o equipamento. “Ela falou: ‘Gustavinho, a gente precisa. Traz a câmera, a gente precisa dessa câmera, a gente precisa apagar o vídeo.’ Essas foram as palavras”, afirma Gustavo.
Além disso, um áudio enviado por uma ex-integrante da equipe reforça que Evelyne teria adotado a mesma postura após o acidente com a criança, ocorrido em março. Por esse motivo, ela também foi indiciada pelo crime de fraude processual.
Em depoimento, Maicon Cintra e Luis Felipe Egoroff reconheceram que eram os responsáveis por verificar se a corda estava corretamente presa ao corpo de Maria Eduarda antes do salto. No entanto, afirmaram não conseguir explicar por que a conferência não foi realizada.

